segunda-feira, julho 05, 2010

Dá-nos mais água, menos aquário e tudo oceano. Dá-nos no regaço desmedido do teu seio, a diferença abismal no nosso. Dá-nos o coração das trevas, para que saibamos. Dá-nos os rios subterrâneos, e as raízes que ardem sem se consumirem. Dá-nos o murmúrio das correntes e marés, os afogamentos e afundamentos, dilúvios, secas e canículas, a fome. Dá-nos o fim do mar, o horizonte deflagrado, o silêncio. Dá-nos a abertura, a alegria da pétala e do fruto, dá-nos a seiva da terra e do céu. Dá-nos o rumor do rosto, o lume da mão amiga, dá-nos a ternura que repousa na pedra. Guarda-nos, nosso Deus, retém o esquecimento. Dá-nos a voz do tempo e o que a sustém. Dá-nos a densidade, a leveza na infinidade, dá-nos a dança dos vivos e dos mortos. Dá-nos a voz que emudece sem calar.

Pela palavra que em tudo troa, pelo olhar que vem de fora, por aquilo em que tudo poisa: assim seja.




Nota: Faz-se aqui a costumeira pausa de migração. Regressa-se à coisa a 4 de Outubro de 2010, se nenhum comboio descarrilar. Até lá ou longe, salud e salve.