segunda-feira, dezembro 20, 2010

Aprenderei a dança da cabra cega, pensei decidir, o ser capaz de unir num salto o precipício e a montanha, a sede e o deserto, o amor e a morte.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

À beira

Os dardos caíram a meus pés, como se tivesse de caminhar procurando um alvo, eu que por ali deambulava sem objectivo definido. Peguei neles: eram azulinhos como uvas de banda desenhada. Ora bolas, pensenti, que o alvo seja o fundo do céu ou a abertura dos mares já eu me apercebera; isso que nos quebra todas as setas e arcos que vangloriem a nossa destreza e força.

Na verdade espanto-me com a vida de dentro e de frente, encanto-me com o anseio feito acto, e quedo-me a ressentir o tempo estoirando-nos as veias; esses fogachos apanho, sim, sobretudo no que me abalroam e desarmam, para que no fim do dia e da noite, o próprio deus desarmado assim me encontre.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Solange

Sento-me na esplanada, (….........) olho a fachada cinzenta dum prédio abandonado, as portas e janelas fechadas a traves de madeira. (…....) frio. Os dias passam, no prédio, no inverno, nos guarda-chuvas e sobretudos escuros que percorrem as ruas, apressados ou lentos, atravessadas ou não por setas e águas vivas. Os dias caminham dentro dos dias (…........................................) mulher (…........) coisa que se perdeu no princípio, (…..........) memória do mundo. (…...........) irrompe algo (…........) o mar entregar-me os seus membros, o céu estilhaçar-me os seus brilhos. (…............) parece-me tocar a minha própria existência num espaço total de alegria e espanto (…..........) extensão do mundo embatendo no meu corpo como vagas na praia. Os dias caminham em mim (…..........) força convulsionando a maravilha (….................) reconhecer-te-ei como conheço (…..........) a história que nos propomos contar e não sabemos. (….....................) Ainda não. (…........) a esperança que um rio tivesse no seu contacto com o mar e as chuvas (…........) a busca que se alimenta da própria busca (…................) Já estou habituada a não encontrar nas minhas descobertas (…..............) Talvez só se encontre uma vez. Talvez depois seja mesmo outra coisa. Todo o resto estados de passagem. Deve ser por isso que os dias passam.