segunda-feira, maio 07, 2007

Barro de burro 2

Disse ele: eh pá, a pensar como os humanos.

Mas a fé estilhaça os limites, e pressente-se o terrível vazio de si que está lá fora.

O que nos prepara, curiosamente, para o acolhimento da alteridade. Ou nos fecha no espelho sem fundo. Aqui, não há meios buracos. A diferença é no próprio reconhecimento – reconhecida. Em si, no outro, no início e no fim, no limite e no ilimite.

Sem o oriente do deserto por fundo e acção, não vale a pena o ingresso na sua própria razão. Todo o cálculo se esgota em si próprio, e só a abertura preenche o vazio.

O abismo que nos reconduz ao concreto, ao pequeno detalhe por onde entra o absoluto da própria mortalidade. Tudo fica vivo e intensamente gritante. Não me esquecerás, meu deus, quando a noite descer à cidade, e dissolver as trevas que os homens aprenderam a amar.

Disse ele: Afasta-te de mim. Ou abandona as trevas, e suspenso no vazio, apenas ao deus te agarres, por um breve instante, um breve instante que se não passasse, transfigurará todos restantes instantes, até ao fim do mundo.

12 Comments:

Anonymous blues said...

bem me parecia, que a mancha alastrava. Olhando,...possibilidade alguma de desexionar este corpo desta ideia, amarem-se enfim, cada qual sem medo que o outro lhe fuja? A ideia é infinitamente ciumenta, não me esqueças tu, amado, diz puxando do chicote com que fará correr a burra até que se quede pendente e mirrada. e do eterno da sua juventude, virá o mais justo e discreto golpe de misericórdia.
ai que vibra de mono!

1:35 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Eh pá, blues, mas só pode vibrar de mono… o moço é consubstancial ao uno ;)

Mas só o amor é unitivo em multiplicidade (1 + 1 + etc = 1, sem que os uns da adição se reduzam ou dissolvam no um do resultado).

E é o mantimento da adição e do resultado que constitui a dinâmica – e faz correr a burra.

Também não sei se o próprio amor pode ter ciúmes que se ame alguém (negar-se-ia a si próprio). Tem ciúmes sim, das ligações desamorosas, ou melhor – sofre com tal. Amar alguém ou algo é sempre amar o amor também.

E isso do medo… o problema é o medo do medo, como cantavam os outros. Mas mais do que o medo, trata-se de não fechar a pessoa no nosso anseio por ela, tornando-a mera projecção do que nos falta e desejamos (embora, claro, isso aconteça sempre em maior ou menor medida).

Beijos

PS: E desde que não vibre de morno... :)

5:25 da tarde  
Anonymous blues said...

;) sei que sou críptica, mas....
olha, desta não deu!
jinho

10:09 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Huuuum… crítico, crístico… crises e crases ;) bjocas, blues

1:27 da tarde  
Blogger Fada Oriana said...

Este Vítor... crítico e crístico... :)

E, Vi no outro dia depois do comentário que deixei, que achou por alguma razão que valia a pena colocar-''me'' no seu blog. Uma honra, e sem dúvida pequena ajuda para que esta fada quem sabe, encontre seu fado -
assim como o vítor enocntrou o seu. :)
Obrigada.

9:59 da tarde  
Blogger sophiarui said...

o abismo sempre...

abracinho

8:07 da manhã  
Blogger Klatuu o embuçado said...

Agora falas com ídolos? :)
Fátima é uma altura muito perturbadora para os cristãos! :)=

Abraço.

P. S. É o burro do Apuleio... ou é algum burro de Esopo.

7:16 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Olá, Fada.

Agradeço a pequena ajuda também, que nunca é de mais nem de menos quando se trata do bem e do belo ;)


E quanto a encontrar, eu costumo é encontrar procuras e meios buracos. No mínimo, falta sempre algo naquilo que encontro, e que consiste no que o encontro me chama a fazer ou ser.

“Fado é tudo o que eu digo
Mais o que eu não sei dizer”.
;)

E que Deus seja o nome secreto dos encontros.

Abraço

11:38 da manhã  
Blogger Vítor Mácula said...

Oh mana sophia, fizeste-me lembrar um amigo meu, um dia que o encontrei com uma garrafa de vinho a receber-me e duas directas em cima nos seus olhos e disposição, em intensivo estudo de egiptologia em simultâneo com a escrita dum romance romântico (era essa a sua expressão). A conversa começou logo com a intensidade correspondente ao seu estado (diga-se que eu achei por bem só começar a falar ao segundo copo de vinho ;) e às tantas digo-lhe: Pois, mas por vezes é preciso ver as coisas de fora, e para isso há que ter calma, serenar… Calma?! respondeu-me ele, Não! Para chegar a algum lado é preciso ser-se obcecado!... Huuum, uma serena obcessão, como a do médico e do combatente, pensei, e dei mais um gole de vinho. Estar intensamente dentro e contemplar de fora… Ele ainda não acabou o romance, nem o estudo. E talvez até seja assim, nada se acabe nunca. Embora eu goste de parar o movimento, dar-lhe um número ou nome, olhá-lo, e continuá-lo como outra fase do mesmo. Enfim, organizações de cada qual ;) Bjoca

11:51 da manhã  
Blogger Vítor Mácula said...

Bem, Klatuu, eu cá falo com quase tudo… e o que for só se torna ídolo se o tomarmos como deus supremo, isto é como algo que começa e acaba em si.

Fátima, pois… talvez perturbe porque é também o nome da irmã do profeta (Louvado seja o seu nome;) e Maio também o mês do desejo estar na rua e a praia por baixo das pedras da calçada.

J’ ai vécu une époque troublée; je l’ ai traversée sans trouble. Je présenterai à mon dieu tout ce que j’ ai aimé, et cela me jugera.

E venha o burro de Píndaro, interpelando o de Odisseus: Sê aquilo que és, diz ele.
O que, diga-se de passagem, não é nada fácil.

Abraço em Maio (que Abril já passou;)

12:04 da tarde  
Blogger Klatuu o embuçado said...

Não, não é... e em «carnaval de santinhos», ainda menos... :)

Abraço.

6:04 da tarde  
Blogger freefun0616 said...

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2:04 da tarde  

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