segunda-feira, maio 08, 2006

Bazófia

Ele não sabe doutrina, teologia, exegese, pastorícia, coisa nenhuma.
Tenta olhar para as coisas de frente – apenas porque lhe doem.

O problema dá-se na própria consciência dessa vontade, que ao duplicar esta na reflexão e na interrogação, anula irrevogavelmente a execução plena e directa dessa mesma vontade. Sente que tem de projectar essa reflexão para algum contentor, nem que seja o discursivo. No fundo, trata-se de se libertar dela, como dum escolho, duma hesitação, um adiamento do estar e da acção, uma distracção.

E então parece que fala, que acede a qualquer coisa, mas ele sabe, isso sim, que o vento, se sopra – é lá fora que algo fustiga.

(Mas mesmo isto dizer – não passa da mesma treta. Por outro lado, a verdade é que não tem outra hipótese que lhe seja oferecida. O único perigo é confundir os sinais com o próprio caminho, e imobilizar-se neles pensando que caminha.)

14 Comments:

Blogger maria said...

mas este texto está demais. abençoada água, não há duvida.

Um beijo

3:19 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Querida MC.

Fogo... (Baptismo anterior ao de água, e que Jesus executa directamente nas consciências e no mundo; o de água é-me fundamental, mudou muita coisa interior e exteriormente, natural e sobrenaturalmente.) Fogágua...

Beijo!

11:37 da manhã  
Blogger musalia said...

mas olhar as coisas de frente, não é já um caminho percorrido, uma resolução?

beijos.

12:44 da tarde  
Blogger aquilária said...

querido vitor,
os sinais permitem, apenas, um entrever,ou uma certa legibilidade, se assim quiseres, dos percursos. e é exactamente essa dor obscura que nos chama e nos impele, mesmo que oculta na mais límpida alegria.

um abraço, grande e renovado

2:25 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

"enviar-vos-ei o Espírito que vos ensinará todas as coisas" e discernimento - pedimos, esperamos.

Abraço hoje-sem-risota

5:16 da tarde  
Blogger Jorge Oliveira said...

Quando a reflexão e a interrogação são autênticas e centradas nas coisas do alto, normalmente impulsionam-nos para o Caminho.

Abraço

11:00 da manhã  
Blogger Vítor Mácula said...

Sim, Musália, sim... Mas no meu caso é uma resolução como a de se fazer ao mar... E é verdade que os rios são mais seguros ;)

Tentar olhar o terrível da vida de frente, sem inventar estórias que o anulem (as que não o anulam são o "sentido"...)

Mas claro que as resoluções são já caminho...

Beijos marítimos.

PS: Já leste o "Moby Dick"?

1:28 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Olá e alô, insular viandante... É a tal estória dos passos fazendo o caminho... E da luz que levamos não iluminar o caminho todo, é preciso ir indo, indo e escutando... Abraço forte. PS: Frida Kahlo, 5 euros, e a exposição é tão reduzida! Enfim, é a vida... ;)

1:30 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Nem mais, cara Malu, nem mais. Ora et ora et ora, et labora... Obrigado, abraço também.

1:31 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Caro Jorge.

Certíssimo! Dinâmica da fé… quero dizer, sem Ele, impulsionariam-nos (ou melhor, impulsionariam-me) para o vazio e para o absurdo. Sou um caso grave… ;)

Abraço.

1:31 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

que maravilha esse fogágua! :) adorei.

7:07 da tarde  
Blogger Silvares said...

O ponto de chegada será um pretexto para se fazer a viagem.
É na viagem que reside o mistério, não no destino.
Não é a vida uma viagem para morte?

1:18 da manhã  
Blogger Vítor Mácula said...

Beijo cândido, cara Cândida :)

12:04 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Alô, Silvares!

O mistério reside em tudo, e a viagem é o destino. A viagem não separa a vida da morte, entrelaça-as na consciência. A vida é uma viagem para a morte, não porque vamos morrer, mas porque desde já sabemos (ou pensamos saber) que vamos morrer. É o presente vivido que está contaminado, digamos assim, com a morte – a nossa e a de cada momento que se esvai.

O problema é que a seta contém o alvo – mas não o arco.

Abraço.

12:12 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home