sexta-feira, março 24, 2006

Humanautas

Amamos, evidentemente.
Mas o que é que nos liga tão fortemente? ...
Quem escolhe gostar e depender daqueles que ama?...
Amar estes e não aqueles... Dá ideia que é o coração que escolhe sem nos consultar...

E o mesmo se passa relativamente a todo o resto... Descobrimos que a matemática nos atrai mais que a pintura, ou que nos sentimos melhor no campo do que na praia. “Eu sou assim”, dizemos orgulhosos, como se tivesse sido uma conquista nossa.

Mas não.

Somos apenas trabalhadores assalariados. Executamos o que nos atrai, e a nossa paga é o prazer ou desprazer resultante dessa tentativa. Nada de nosso preside às nossas decisões mais pessoais. Somos vagas menores ou maiores mas nunca oceanos. É interessante, não é? A vida a decidir assim por nós sem mais nem menos. E o nosso mar de palavras e silêncio a tentar dar-lhe sentido. Mas na verdade, não passamos de toupeiras a arranhar a roupa dos anjos. A maioria das nossas palavras e pausas são mudas como o peso da lua.

28 Comments:

Anonymous sophia said...

e vestindo a roupagem dos anjos sentimos sim o peso enorme da lua... de não saber ao certo o que ela é para nós!!

abraço Sr. Vítor humanauta!!

1:35 da tarde  
Blogger Lord of Erewhon said...

Eu sei que temos umas conversas por acabar... mas - como já te disse - os góticos (e as putas esquizofrénicas) ocupam-me o tempo!!
Abraço.

3:28 da tarde  
Blogger xana said...

Fantástico, Vítor Mácula..
um dos textos mais maravilhosos que alguma vez li...
Tiro o chapéu
e inclino a cabeça.
Concordo inteiramente contigo!

E deixo-te um abraço amigo..

11:32 da tarde  
Blogger NaSacris said...

Gostei desse novo conceito: HUMANAUTAS. E como precisamos de pessoas assim!!!
Abraço

12:41 da manhã  
Blogger jorge said...

epá no comments pá !...
mas abraço.

;-)

8:36 da tarde  
Blogger caminante said...

Caro Víctor, la vida está hecha de encuetros y desencuentros. ¿Quién hizo que tu camino y el mío se encontraran en un punto concreto espaciotemporal? Esa misma mano, me parece, es la que pone o aparta personas en nuestro camino.Amamos porque en el hondón del alma brota una simpatía inscrita desde toda la eternidad. Son las huellas que, seguidas, nos llevan, libremente, al encuentro del porqué y del para qué de nuestra vida.
No hay palabras vacías. Sólo existen las que hacen eco o no en nuestro corazón. El Amor es el sonido de las palabras.
Un fortísimo abrazo.

10:35 da tarde  
Blogger Eduardo Tetera said...

Por aí navegam os humanautas buscando uma voz, uma esperança, o pecado, secredos, comprensão...

6:42 da manhã  
Anonymous morfeu said...

Muito belos estes dois últimos posts...toupeiras esgravatando o Imenso, remexendo em afã "vaidoso" o humos...essa "humildade"...consolam-me as tuas palavras, a mim que vivo nesse balanço desiquilibrado de uma fé que teima em chegar...bem hajas!
Abraço do Morfeu

3:48 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Olá, Sofia.

A lua, é padroeira das fugas e das procuras; combate-se à luz do sol, mas dança-se à luz da lua.

E por outro lado, assassina-se à luz da lua; e canta-se à luz do sol.

Ou quem sabe, o que dizem as palavras... A vida, é uma confusão;)

Abraço, senhora.

11:34 da manhã  
Blogger Vítor Mácula said...

Mister Bishop.

Pois, comigo é o mesmo... mas isto é mesmo assim... As conversas vão-se tendo, vão crescendo, aos bocados, ramificando-se... Tenho lá ido ao teu blog-reino nos entretempos de outros afazeres. Mas ainda vou em comentários do post Apocalipse, assim ainda numa carruagem que já lá vai ao fundo... com calma... (Até porque nem se pudesse passaria meio dia ao computador :)

Mas a malta vai andando por aqui, e é um prazer falar contigo. (Ainda não deparei na minha diletante busca livresca com a Regra Babilónica dos Essénios, mas dei com um Talmud da Babilónia que relata a lapidação de Jesus ;)

Abraço.

11:38 da manhã  
Blogger Vítor Mácula said...

Querida Xana.

Assim, ainda damos uma cabeçada... E eu nem uso chapéu... :):)

Abraçamigo, cara.

11:39 da manhã  
Blogger Vítor Mácula said...

Caro Na Sacristia.

E conceba-se o que não está... aqui. ;)

Abraço.

11:39 da manhã  
Blogger Vítor Mácula said...

Ei, Jorge!

Coño, hombre! (Já vai em quantos ?;)

E epá abraço!

11:41 da manhã  
Blogger Vítor Mácula said...

Caro Caminante.

Calo as tuas palavras no recolhimento. Todos os encontros são sagrados, ou não são nada. (E Deus é co-tecedor dos caminhos). A cegueira é sempre mais da mente e dos nervos, do que do coração.

Um grande abraço.

11:46 da manhã  
Blogger Vítor Mácula said...

Caro Eduardo Martins.

E la nave ve... Ma donde va?...

‘braço.

11:47 da manhã  
Blogger Vítor Mácula said...

Caro Morfeu.

Eh pá, olha que comigo passa-se algo de semelhante. A fé é um bocado... teima sempre em chegar... fugidia e ao mesmo tempo intensa... chama... e chego lá... está lá?... onde?... uma esperança, um anseio... mesmo a religiosidade, quer dizer... define e procura orientações, conteúdos e questões, sentimentos e disposições... mas não tem ou dá a fé ou não fé com que nos relacionamos com isso tudo... essa deve mesmo ser outra estória... e quase todos os teólogos e místicos são os primeiros a dizê-lo, que é um dom de Deus... deve ser por isso... ;) Como poderíamos deter na clareza e certeza algo de Deus?... É um mistério, precisamente... E cá estamos, toupeiras... Sei lá... ;) É pelo menos o que se passa comigo...

Abraço.

11:49 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Apenas para deixar uma pista (apesar de o assunto não me dizer directamente respeito): a tal "Regra Babílónica dos Essénios" que referes num dos teus comentários, dá ideia de ser a Regra da Comunidade, um dos Manuscritos do Mar Morto descobertos em Qumram, local que chegou a ser dado como residência da seita judaica dos Essénios (questão que permanece em aberto).
:0)

11:06 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Quanto ao post: não vale a pena menosprezar o poder do instintivo e do inconsciente na nossa vida. Até porque concorrem para nosso bem. Mas daí até descortinar a impossibilidade de consciência e liberdade...
Uma frase que Anselmo Borges gosta de citar (de Erich Fried): "Um cão / que morre / e sabe / que morre / como um cão / e que pode dizer / que sabe / que morre / como um cão / é um homem".
Quanto ao imponderável do peso da lua, talvez valha a pena revisitar a lenda de S. Cristóvão. Pode ser despropositado, mas neste blog, até o despropósito tem o seu sentido... :0)

11:40 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Caro anónimo.

Pois, eu fui ao que tenho dos manuscritos de Qumram, mas essa Regra da Comunidade não sei se tem referência babilónica… Saiu agora uma edição de bolso em francês (Le Seuil) com quase todos os textos traduzidos e anotados… Mas ainda não a comprei (ai guito guito ;) Seja como for, os manuscritos de Qumran não são de perto próximos da época de Jesus… A que correspondem e a que épocas se referem cada qual dos manuscritos (poderão até ser textos contemporâneos de Jesus, “guardados”), ocupa o tempo e a cabeça de exegetas, historiadores, arqueólogos etc e tal… Eu cá vou de quando em quando ocupando o meu tempo e cabeça com os resultados dos seus estudos, sobretudo se saem em edição de bolso (ai guito guito ;)

Bem, e voltamos (ou não, depende do anonimato…) às duas faces da moeda. Não se trata da impossibilidade de consciência e liberdade, mas do ponto negativo onde esta começa – ou soçobra. Perante as determinações, conscientes e insconscientes, há um espaço vazio que se abre – essa tal reflexão canina ;) Se a relação que aí se dá com as determinações do ser e do porvir corresponde à possibilidade de auto-determinar-se… eu tendo a crer e pensar que sim.

Eh eh eh… Gosto dessa do sentido dos despropósitos… Abrem sempre outras vias… Afinal, as moedas não têm só duas faces, têm rebordos e lados e texturas e… remetem para as não-moedas ;)

O peso é uma determinação da gravidade. Não faz sentido o peso dum astro ou planeta. Ou talvez até faça… O peso da lua nas marés (ainda por cima parece que esta é cientificamente despropositada… eh eh…)

Abraço.

PS: Não quer despropositadamente contar-nos essa do S. Cristóvão?...

2:13 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Reincidiva a propósito ou a despropósito, fui no outro dia a uma conferência do Anselmo Borges da qual retiro para aqui uma das suas interpelações: Jesus veio dizer que Deus era amor... Ora, isto não é evidente... Olhando para o mundo e para a vida, não dá ideia que o que a eles preside nos ame particularmente...

É por estas e por outras que o príncipe do mundo não é Deus...

Distinguir a vida do mundo...

2:24 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Segundo a lenda, Cristóvão era um gigante a quem tinha sido dada a missão de transportar as pessoas pelo rio de uma margem para a outra. Um dia, aparece-lhe um menino a pedir-lhe boleia aos ombros. O gigante dispõe-se a transportá-lo, mas, enquanto o faz, vai sentindo um peso imenso e começa a afundar-se no leito das águas. Comenta então: «Até parece que levo o mundo às costas!» Ao que a criança responde: «Tu levas o Senhor do mundo!»
É o padroeiro dos viajantes - os mundonautas... :o)

3:31 da tarde  
Blogger Caio Kaiel said...

Belíssimo texto!!!Bravo...

Realmente, sou o resultado das coisas que amo - e por isso não posso tomar minha vida por aquilo que amo, exatamente por sermos meras vagas de um infinito oceano.

Amigo, obrigado pelo seu comentário em meu blog...respondi lá mesmo.

Deus lhe abençoe!!!

Abraços Brasileiros.

5:53 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

É realmente incessante a busca por conseguirmos emoldurar em palavras os nossos gestos.
Mas se não fosse assim, será que não nos perderíamos na nossa própria liberdade?
Ana

10:47 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Cara Ana.

Huuum… pois, penso que sim. Muito pertinente… Mesmo que não sirvam para dizer a “verdade” directamente, as nossas parcas e pobres palavras servem-nos de dique e orientação… Bem visto…

Abraço.

2:55 da tarde  
Blogger Goldmundo said...

Qual era o mal de nos perdermos?

Uma resposta simples, por favor.

7:14 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Penso que... é perigoso se não estiver em fase de procura e reencontro. Quero perder-me, sim, mas para reencontrar-me (mais inteiro?) Isto é, o mal depende de em quê e como me perco.

Algo do género. Não sei se é uma resposta simples ;) Penso que na prática, até o é - o que não significa que seja fácil.

Enfim, o mal não está na perda - toda a saída de si é uma perda de si - mas como me retomo e renovo ou dissolvo sem retorno. E é no retorno que há palavras que luzem.

(Desculpa lá, porra, acho que não consegui responder simples...)

Seja como for, abração.

12:57 da tarde  
Blogger Goldmundo said...

Cabe às ovelhas o perder, ao pastor o encontrar.

1:38 da tarde  
Blogger freefun0616 said...

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1:49 da tarde  

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