segunda-feira, novembro 07, 2005

Etimologias

Deus – substantivo singular masculino.

Deus: absolutamente subsistente.
Deus: não-masculino, não-feminino, não neutro.
Deus: universal.
Deus: Aquele que é.

Deus – onstantivo único polissexual.

19 Comments:

Anonymous Help said...

Eu diria como aprendi em miúda: Deus - um substantivo abstracto, masculino do singular.
E continuo a não saber explicar mais e melhor. Apenas o consigo sentir (muito imperceptivelmente) através de Cristo, nosso Medianeiro.

3:14 da tarde  
Blogger Paula said...

Interessante.

3:18 da tarde  
Blogger Vilma said...

Deus - Eu Sou o que Sou!

5:29 da tarde  
Anonymous Luis said...

Mas por que é que Deus há-de ser um ser masculino?
Por que é que Ele é Pai e não Mãe?
Resposta: Deus é um antropomorfismo. Não foi o Homem que foi feito à imagem e semelhança de Deus. Foi Deus que foi feito à imagem e semelhança dos homens do sexo masculino.
Um dos paradoxos da religião cristã é o facto de ela ser uma religião masculina, mas os seus crentes serem maioritariamente mulheres. Talvez seja por isso que, no meio católico, a Nossa Senhora adquiriu um estatuto de deusa, chegando ao ponto de ser mais adorada que Deus. As mulheres fartaram-se de não ter um deus seu.
E por que é que Deus há-de ser um ser singular ou particular? A verdade é que Ele é, na religião cristã, plural: Ele é o Pai, o Filho e o Espirito Santo. Daí que muitos afirmem que o cristianismo é uma religião politeista. Aliás, se a Nossa Senhora já é mais importante que Deus, então essa afirmação ainda tem mais razões de ser.
E por que é que Ele é Aquele que é? Porque não pode ser definido ou conceptualizado, diz-se. Mas «Aquele que é» é já uma definição. Como Heidegger afirmou, se Deus existe Ele é um ente, não é o Ser. O Ser é que não pode ser definido. Por isso não se pode dizer que o Ser é, mas sim que o Ser dá-se. Assim, se não é possivel haver coisas sem Ser, o mesmo se aplica a Deus. Deus só pode existir porque há o Ser e não o Nada.

7:14 da tarde  
Anonymous Help said...

Ninguém aqui disse que Deus é homem.
Um banco, um copo, etc. e etc., também são substantivos masculinos e nem porisso são homens.
Heidegger também disse que Deus não é passível de ser teorizado, que apenas o podemos compreender como experiência interior, através da meditação e contemplação.

11:44 da manhã  
Blogger Marco said...

Eu prefiro a seguinte: "Criador, e Essência Incognocível"

Recordo-me que S.tomás dizia que nunca podiamos saber o que Deus é, mas apenas aquilo que Ele não é.

2:58 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Cara Help.

Claro. E ninguém, com mais ou menos palavras, com mais ou menos especulações e definições, O conseguiu ou conseguirá explicar mais e melhor. Deus é em nós uma execução de vida – e a tarefa conceptual é tão só uma tentativa de dar-se mais e melhor a essa execução em nós, como tantas outras.
No “fundo”, essa imperceptível intuição, “diz” mais e melhor que todos os tratados de teologia – que aliás, sem ela, não valem um chavo, mudos e inactuantes.
Daí a “importância” da meditação, da contemplação e da oração.
E que essa imperceptível intuição te acompanhe sempre, mesmo no momento em que se te escape.

Um grande abraço.

Caras Paula e Vilma.

Abraço, abraço.

Caro Luís.

A questão da antropomorfia é complicada. Um dos aspectos está nos modos de representação e linguagem, que mesmo quando consciente ou esclarecidamente referentes a Deus e à sua total diferença e incomensurabilidade, não deixam de ser analógicos. Deus né indicado neles, e nunca dito ou representado. Tratam-se de termos de semelhança, e não de correspondência directa; um dos elementos da categoria de semelhança, ao contrário da de igualdade ou significação directa, é evidentemente uma fundamental dissemelhança e total diferença referencial.
Por outro lado, o que nos é dado religiosamente, é a possibilidade duma relação com Deus. Daí muitos elementos do dizer acerca de Deus serem expressões da nossa (re)configuração humana que se executa nesse anseio relacional. A constituição e dinâmica da relação com Deus não se dá apenas na individualidade, mas adentro duma cultura, duma sociedade, duma época. Nesse sentido, o cristianismo está naturalmente marcado pelo “patriarquismo” e pela falocracia – como você muito bem indica. Note-se no entanto que, em termos cristológicos, deve também ter-se em conta que Jesus é um homem.
Relativamente à singularidade e pluralidade, estamos em pleno no mistério da Trindade. Deus é imediata e eternamente relação na sua unidade. Trata-se duma pluralidade singular. Como isto é um berbicacho dos céus, fico-me por aqui. Rios de tinta e rouquidão correram e correm por aqui.
Na interpelação ontológica de Heidegger, o que está em jogo é a suspeita de que toda a investigação e especulação ontológicas se afastaram e elidiram o espanto origin´rio da questão pelo ser, e se fixaram numa analítica dos modos de apresentação das coisas ou entes. O ser dá-se não enquanto isto ou aquilo mas enquanto seja o que for. Nesse sentido, e “fugindo” um pouco a Heidegger, Aquele que é, não é bem uma definição, visto que não põe limite ou configuração nenhumas, não produzindo nenhuma determinação regionalizável. Do mesmo ou semelhante modo, o “Eu sou o que sou” “da” Vilma também não, visto que não diz “Aquilo que é nesse Ser”. Como se costuma dizer, Deus não existe, Ele é. Mas como isto é outro berbicacho, da terra e da teologia, e isto já vai bastante esticado…
A questão da mariologia (e da mariolatria!) é também um berbicacho muito pertinente.

Um abraço.

3:38 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Caro Marco.

Evidentemente!

Um abraço.

3:40 da tarde  
Anonymous luis said...

Mesmo que as palavras que utilizamos para nos referirmos a Deus sejam meras analogias, a minha questão continua a ter sentido. De facto, se Deus não é um pai, mas é algo análogo a ser-se pai, eu pergunto por que é que não há-de ser algo análogo a ser-se mãe?
Não o é, precisamente, porque o cristianismo é uma religião própria de um tempo em que era o homem quem tinha poder, e não a mulher. Poder-se-ia, assim, dizer que muitas das analogias que se referem a Deus já não têm sentido, pois estão datadas historicamente. Por exemplo: Deus é o Senhor? Tendo em conta que o esclavagismo já acabou há muito não seria melhor dizer que é o Burguês/Capitalista/Empresário? E numa sociedade sem classes o que seria Deus? Todos nós? Bem, a verdade é que este seria um Deus múltiplo e uno ao mesmo tempo! Seria uma pluralidade singular!
E quanto a Deus ser o Amor, ser omnipotente e ser omnisciente? Isto também são analogias ou são palavras que expressam aquilo que Deus é realmente? Deus é como o Amor, mas não é o Amor? Deus é semelhante a algo omnipotente, mas não é a omnipotência?
E será que a própria palavra «Deus» não é uma analogia? O que será que é como Deus, mas não é Deus nenhum? A essência humana de Feuerbach? O amor, propriamente dito? É o amor que é divino, e não Deus que é o amor?
Finalmente, para Heidegger, Deus, como muitas outras ideias, foi mais uma forma de entificação e coisificação do Ser. O esquecimento do Ser passou também pelo Deus presente eternamente, causa de tudo e de si mesmo, criador e fundamento. Para Heidegger a «morte de Deus» anunciada por Nietzsche, não pode traduzir-se numa «morte do Ser».

9:15 da tarde  
Blogger Nova Evangelização said...

Caríssimos
Com o devido respeito que tenho pela autêntica filosofia, assim como pelas demais ciências humanas, preocupemo-nos menos com com isso, sobretudo com a vã/encapotada/anquilosada filosofia (que é, infelizmente, o que há mais por aí, tal como profetizou S. Paulo) - pois ela não salva ninguém, antes, pelo contrário, confunde e lesa sobremaneira -, nomeadamente no respeitante à antiga e obsessiva 'identidade Divina' [se Deus não foi criado do nada, provavelmente também não tem uma determinada 'identidade' concreta/racional, pelo menos tal como a concebemos na tacanha inteligência humana, excepto no sentido que Ele mesmo precisou: "Quem vê o Filho, vê o Pai"], e, alternativamente, tentemos mergulhar a fundo é na filosofia/teologia evangélica, que, essa sim, é a autêntica ciência do conhecimento Divino, visando o principal ou único fim para que todos nós fomos criados...
Saudações evangélicas e cristãs
JM

* Caro Vítor Mácula, desculpa o facto de ter demorado a fazer-te esta fugaz visita, também como retribuição às tuas, o que obviamente nada tem a ver com filosofias e/ou políticas de baixo nível, dado que tenho realmente uma agenda 'muito cheia' (embora um tanto quanto desorganizada, o que tento gerir o melhor possível), pelo que infelizmente, ao contrário de Deus Nosso Senhor, não consigo estar em toda a parte, nem tão pouco agradar a toda a gente, o que me deixa naturalmente preocupado, ossos do ofício.

12:18 da manhã  
Blogger Vítor Mácula said...

Caro Luis.


Se a sua questão não tivesse sentido, seria incompreensível, o que manifestamente não é.
É evidente que Deus é algo análogo a ser mãe. O que se passa nestes termos, para além de analogias e representações remissoras indirectamente, é a dinâmica e relação pessoal com Deus. É-se pai ou mãe ou criador de algo, e não por ou em si. Não são termos substanciais, mas activos e relacionais. São sempre relativos a algo, neste caso nós próprios ou a Criação – e Deus.
Quanto à sua questão das representações de Deus através de categorias socio-políticas, ela parece-me subsumir Deus numa projecção destas, o que não é de todo o meu ponto de vista. Pensinto estas representações (Senhor, Empresário, Conector igualitário sem classes etc) como modos análogos, cuja remissão deve ser conforme à teologia e à Revelação. Nesse sentido é que, neotestamentariamente, o Senhor se torna aquele que serve, que lava os pés e por aí fora, numa inversão e “paradoxização” do conteúdo dos termos, sem contudo o elidir – e que precisamente indica o extravasamento do divino aos termos e modos de representação das nossas gentis tolas e sociedades.
Relativamente ao Amor divino (ágape) e sua omnipotência e omnisciência, o seu carácter analógico é um pouco diferente. Deus não é semelhante a algo de omnipotente e etc, não há separação, por assim dizer entre estes termos, no sentido em que é uma definição essencial do Deus único. Isto é, à papo seco, se você encontrar algo omnipotente, pode ter a certeza que é Deus. Que só pode haver uma omnipotência, é algo que os filósofos e teólogos diversos também já berbicacham em dicções e contradições há muito.
A palavra “Deus” é então mais um outro caso analógico. Naturalmente que remete para noções de potências personalizadoras dos fenómenos – da chuva ao amor e etc. Mas ela indica precisamente a ominpotência e omnipresença do Deus judaico-cristão, que na sua universalidade, deflagra qualquer regionalização de acção ou caracterização. Daí não ter nome, ser “tão só” e absolutamente – o divino.
A retirada de Deus na modernidade e na pós-modernidade é, em mim, uma continuação da peregrinação individual e colectiva, um apuramento da relação e procura e etc etc etc.

Um abraço.

1:32 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Caro José Mariano.

Falando estritamente e apenas por mim, a filosofia e etc, são para mim meios e passos da minha peregrinação. Não as receio, porque caminho em clamor e anseio de Deus que orienta tais usos de meios e passos da caminhada – quero dizer, não as receio mais do que seja o que for e que pode sempre tornar-se obstáculo ou véu. Tal como dizes, trata-se de “mergulhar a fundo na filosofia/teologia evangélica”, assim como das realidades que me rodeiam. E isto tudo, tendo em fito (tão mal e confusamente, é verdade…) a existência evangélica.

E, com mil abraços, não tens nada que te desculpar!
Força no ofício!

1:42 da tarde  
Blogger Ver para crer said...

Amigos:
Deus é Mãe e Pai. Quem duvida?!

«Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? Mas mesmo que ela o esquecesse, eu não te esqueceria nunca».

Neste texto de Isaías vemos Deus a comparar-se a uma mãe.
Mas todos sabemos que Deus supera qualquer pai ou mãe. Ele é amor, como diz S. João.

3:42 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Caro Ver para crer.

E melhor não poderia ser dito!

Um abraço.

11:25 da manhã  
Blogger Ver para crer said...

Obrigado pelo elogio, Vítor! E neste caso, sem falsas modéstias, acho que Deus me usou como seu instrumento.
Abraços para todos os que intervieram.

8:19 da tarde  
Anonymous Luis said...

Caro Vitor Mácula


Quando diz que o amor e a omnipotência são definições essenciais de Deus, e não analogias está, afinal, a dizer que Deus é definível, quando antes tinha afirmado que Ele é «Aquele que é», e que é Aquele de que não se pode dizer nada, a não ser de forma analógica. Isso quer dizer que, afinal, Deus é conceptualizavel. Por outro lado, não vejo porque é que o amor e a omnipotência não hão-de ser formas poéticas de nos referirmos a Deus. Caso contrário cai-se num paradoxo. De facto, se Deus for omnipotente, então não pode ser omnisciente ou o amor infinito. Digo isto, pois ser-se omnipotente significa que se tem poder para ser/fazer tudo. Mas se se tem o poder para ser algo é porque (ainda) não se é este algo. Por isso, um deus que tem o poder de ser o amor infinito é porque não é, presentemente, este amor infinito. Ao contrário se Deus é este amor infinito, então não pode ser omnipotente, na medida em que já é o amor todo que é possível ser. O paradoxo resulta do facto de só ter poder quem é temporal. Quem está, supostamente, na eternidade já é tudo o que é suposto ser, não podendo ser mais nada, e não tendo por isso qualquer poder. Este é um paradoxo resultante da helenização do cristianismo: se, em Aristóteles, Deus era o Acto Puro não tendo por isso nada de potencial, no cristianismo aristotelizado (por Tomás de Aquino) Deus vai continuar a ser o Acto Puro, mas passa a ser também potencia. Enfim, o que a «omnipotencia» de Deus mostra é que ela não passa de mais uma característica dos homens temporais (o poder-ser), elevada ao infinito e projectada em Deus na eternidade.

12:22 da manhã  
Anonymous Luis said...

«Com o devido respeito que tenho pela autêntica filosofia, assim como pelas demais ciências humanas, preocupemo-nos menos com isso, sobretudo com a vã/encapotada/anquilosada filosofia»
«filosofias e/ou políticas de baixo nível»


Comentários destes lembram-me logo o espírito inquisitório de quem se dá mal com o espírito critico, e o espírito dogmático de quem se dá mal com a pluralidade de opiniões. Se dependesse das pessoas que tecem comentários destes, a Terra ainda era o centro do sistema solar, pois na Bíblia infalível é afirmado o contrário (nomeadamente no Génesis e no episódio em que Abraão ordena que o Sol pare de se mover). Se dependesse das pessoas que tecem comentários destes a filosofia reduzia-se apenas às «filosofias autênticas» de Santo Agostino e de São Tomás de Aquino. Mas ainda bem que apareceu um Descartes para criticar o sistema de Tomás de Aquino(que não passa de uma cristianização do aristotelismo, ou de uma helenização do cristianismo). E ainda bem que há filósofos cristãos como Ricoeur que não esqueceram aquilo que as «filosofias vãs, encapotadas e de baixo nível» afirmaram.
Mas a verdade é que quer-se queira, quer não, há um cristianismo de intelectuais ou elites e há um cristianismo popular. O primeiro não se esquece das criticas do iluminismo e procura dar-lhes resposta (se o consegue ou não isso é outra questão). É um tipo de cristianismo que tem presente toda a história da filosofia, assim como o que dizem as ciências, e por isso nega coisas como os milagres (como eu já ouvi um teólogo defender). Nega também o absurdo do Diabo (como o próprio JP II fez), para defender a ideia de que o inferno é apenas a ausência de Deus. É um cristianismo que não lê a Bíblia de forma literal, mas que pratica uma exegese. Depois há um segundo tipo de cristianismo que é popular e que por isso mesmo se confunde com o paganismo. Mas estes cristãos estão convencidos que são verdadeiros cristãos, pois seguem aquilo que os «São Paulos» indicaram (não foi por acaso que o ataque de Nietzsche ao cristianismo foi mais dirigido ao São Paulo do que a Jesus). Interpretam a Bíblia de forma literal e recusam tudo aquilo que vá contra as suas palavras (como o Santo Agostinho lhes ensinou). Idolatram as inúmeras «Nossas Senhoras», assim como os inúmeros santos. Acreditam no Diabo e em milagres, pois nada melhor que explicações simples para resolver problemas existenciais complexos. Vivem fechados num mundo feito de rituais pagãos cristianizados, e auto-convencem-se de que é assim que têm uma vida cristã. Basta uma ou outra oração, uma ou outra caridadezinha, para sentirem que praticaram o amor cristão e a abertura ao outro. Vivem o formalismo pagão cristianizado, mas estão convencidos de que vivem o conteúdo da mensagem cristã. Não é estranho, por isso, que afirmem bem alto no seu «user profile» que só têm um interesse: «Só Deus basta! Nada mais interessa!»

12:24 da manhã  
Blogger Vítor Mácula said...

Caro Luís.

Alguns transbordos.

Bem, eu nunca disse que o amor e a omnipotência divinos não eram analógicos mas sim que eram essenciais, no sentido de o seu referente ser o próprio Deus, e não a sua relação e acção com a criação (como no caso dos termos Pai, Mãe, Senhor etc).
Todo o dizer acerca de Deus é analógico, dada a sua radical e absoluta alteridade (outra definição!) Seja como for, um dos pontos da sua crítica é a tradicional de que a teologia negativa, mal se pronuncia acerca de Deus, se está a contradizer. A mim, parece-me que o que está em jogo é não um “Acerca do que não podes falar, cala-te” mas mais uma apreensão dos “jogos de linguagem” da religião e afins (alô, Ludwig!). Trata-se assim de perceber, precisamente, os modos analógicos e seus referentes, significados e horizontes de sentido.

Estamos a dar um sentido ontológico ao “Aquele que é” que, para dizê-lo à papo seco, é puramente formal, no sentido filosófico do termo. O Deus judaico-cristão é um Deus da vida e dos vivos, e não dos conceitos e da lógica pura. Se preferir, a dicotomia conceito/existência não é, “judaico-cristologicamente” falando, marcada e interrogada de modo grego, “à” Parménides. A potência em jogo, é mais “à” Espinosa do que “à” Aristóteles ou Descartes, mais de acção, dinâmica, “fundo” ontológicos, do que de possibilidade ou potencialidade aristotélica. A forma constitui a essência executada, tomisticamente falando – o ser á a “execução” da essência na matéria, no real, na existência – e apenas analiticamente se “separam”. Trata-se dum transbordo ôntico, duma força de produzir o ser e mantê-lo que corresponde à noção de criação.

Isto está dito assim à matraca e citando autores e culturas, dada a sua interpelação ter ido no sentido da história das ideias e da filosofia, e dado também não ser aqui espaço para dissertações exaustivas. Fico-me pela ilustração, até porque o seu comentário é duma abrangência muito alargada, e sobretudo porque não sou nenhum filósofo mas quanto muito um filo-filósofo, e mesmo assim pouco intensamente.

Filosófica e historicamente falando, é precisamente esta questão do ser, da essência e da existência, que Aquino desenvolve na sua “tese” da “causa eficiente” – que transborda o aristotelismo, embora evidentemente, a relação do tomismo com o Estagirita seja de elevada implicação. Eu não o reduziria no entanto a tal (e isto para ambas as “partes”).

Sendo assim, é mais o “poder-dar-o-ser” que se exprime na “omnipotência divina”, do que o “poder-ser” da temporalidade. Mas nada disto tem os contornos rigorosamente definidos da geometria pura, tal como nada existente se subsume na sua definição, mesmo que rigorosa – quanto mais não seja, porque existe.

E é claro que a filosofia patina na revelação judaico-cristã (assim como, no fundo e no limite, na própria vida “crua e nua”). Tanto a criação como a encarnação divina conduzem a paradoxos lógico-filosóficos.

Teria(mos) tanto mais a dizer e porventura um pouco mais o diremos, mas por ora, aqui me quedo.

Um abraço.

5:12 da tarde  
Blogger freefun0616 said...

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1:43 da tarde  

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