segunda-feira, maio 12, 2008

Palavra nossa que estejas

Ó inefável deflagrar de toda a palavra, incandescência de todo o dizer, faz teu nome de tudo o que somos, sentimos, dizemos, pensamos, fazemos, padecemos.

Revivifica a nossa carne, os nervos, os ossos e o volátil sopro que nos estremece. Que em todos os nossos mundos se abata o dilúvio do teu incêndio.

Une os horizontes aos cais de partida e chegada, as fugazes constelações às voláteis viagens. Que o que seja, do mais ínfimo ao infinito, nos seja significante e revelador.

Funde-te em nós dentro, mais dentro que nós próprios, com toda a tua violência e suavidade. Cobre as nossas resistências, as nossas fugas, os nossos repentes e constâncias de orgulho, de fechamento, de impotência cega e activa, de todo o nosso mal livra-nos, ó palavra do todo e de tudo e do inacessível vazio em que tudo se escoa.

Tenta-nos luz que não somos nem temos, tal como nós tentamos a nossa pequena escuridão com o próprio fracasso de tudo em nós.

De sabermos quem tu és e como te dizes, de tal ilusão protege-nos, para que te digamos e façamos a partir do que não és, a partir de tudo isto que somos e fazemos sejamos invasão do teu silêncio maior, no abismo do teu amor, nas cicatrizes em que nos visitas sangra-nos e ressuscita-nos, ó deus trino e incompreensível na tua incarnação, protege-nos e guarda-nos agora e para sempre, ámen.