segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Almada Negrume


para a madrinha
para a Antígona, a da meia-noite

Pim Pam Pum!

O Pai matou o Filho, e a sua soberania brilhou e adensou-se até o seu próprio peso lhe minar as fundações; e o Filho morto ergueu-se do fundo da fragilidade paterna, e feriu o Pai de morte; por breves momentos, quedados ficaram no seu terno e mútuo extenuo; e na fragilidade de ambos, ergueram-se a Mãe e a Irmã, prontas a renovar o reino numa feminilidade por descobrir.

Ratata trás paf paf!

Um certo quedar então de tudo houve, como se a apocalíptica humanidade, por breves momentos, se distraísse da sua própria narrativa; ou porque o lepidóptero falsificou esta na sua mecanização e mercantilização do mundo; mas até os menos atentos podem ver, pelo menos desde a última década do séc. XX, que a tensão antropológica atingiu suficiente intensidade histórica para o mundo (voltar a) estremecer; o que desde então tem vindo a mostrar-se cada vez mais consequente e infalivelmente.

Trum pás tás tatatatatatatatatata!

Oh a Igreja: dada a sua peculiar formação histórica, assim como o seu papel na configuração narrativa da humanidade – ela é o lugar onde as tensões antropológicas sempre se mostraram com mais vigor e radicalismo: qualquer platónico ou idealista é um menino perante um gnóstico ou um cátaro, e um cientista moderno um racional hesitante perante um tomista; assim como qualquer despótico ou libertário não passam de pálidas imagens de um inquisidor ou de um mártir. A Igreja é (um dos) lugares onde se revela o mundo; e tantas vezes, por gerar no seu próprio seio, a visibilidade maligna de ocultos terrores mundanos. E é assim que as interpelações cristãs mais dinâmicas, se apresentam hoje conflitualmente no integrismo e nas heresias libertárias, pois aí se revelam com mais acuidade, os sentidos e não-sentidos que rasgam as entranhas do mundo; e que a maioria dos discursos magisteriais ou paróquias pequeno-burguesas, nos fazem adormecer de tédio e lassidão de sentido.

Taratata tum tum puf!

Há quem não perceba isto, oh lepidóptero; e mantenha a tentativa ilusória de interpretar a História pelo prisma da paz podre: a do seu pontual e pequeno conforto pessoal. Pobre cretino: confundiu a suspensão do movimento histórico com uma elisão das suas tensões antropológicas; esqueceu-se que toda a soberania se paga com sangue de outrem, que mais tarde ou mais cedo banhará o reino.

Taratantantam! Pantapantapanta tufa!

Agora aqui e aqui e agora: há quem perceba isto e afie a espada, ou se prepare para sangrar; e há quem perceba isto e afine o riso e a distância, na preparação de crónicas e reflexões; como também há quem perceba ou não perceba isto, e com armas e desarmamentos, com riso e lágrimas, com aqui e ali e antes e depois - continue a trabalhar e tudo adentro do reino sem soberanias.

4 Comments:

Blogger maria said...

li! (voltarei mais vezes. porque é preciso)

beijinho

11:56 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

preciso, por imprecisão ;) bjo

12:04 da tarde  
Blogger Antígona said...

Brilhante! Movimento rítmico delicioso, é o que cada indivíduo do nosso país precisa: saber de que arma se reveste o seu pensar, instruí-la e torná-la útil e poética.

Uma verdadeira fonte de inspiração, muito obrigada Vítor! =) (=

YUPIE KAY-HEY!!

10:58 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

upa lufa! :)

12:45 da tarde  

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