segunda-feira, outubro 05, 2009

Manhã

Olhou para o espelho: duas ideias pendiam-lhe ao canto da boca. O sangue começou então a brotar, até jorrar cascata da sua boca para o lavatório. O sabor do sangue, como vapor odorífero na cabeça. Levou a mão à boca, à torrente, o líquido espesso como mercúrio, gelado tal qual. Durante dois ou três minutos aquilo parecia aumentar sem acabar. Depois o jorro começou a abrandar. Ele tossia. Cuspiu duas grandes escarretas de sangue em pasta frio, e sentiu que acabara. Que rica maneira de começar o dia! berrou. Sentia-se tonto, como num ataque de tensão baixa. Vai-te mas é embora senão ainda chegas atrasado, disse-lhe a imagem no espelho, impressionada sem o mostrar.