segunda-feira, abril 02, 2007

But there’ s method in his madness

A ideia de que a dor não é propriamente um mal, inverte e confunde toda a nossa tendência de orientação, na violência com que o critério de prazer e desprazer é interrogado e interpelado, sacudido.

Padecer de outrem – da pequena vibração do átomo ao assombro do olhar de outrem, da alegria que freme num sorriso à ameaçada melancolia com que olhamos o tempo devorar todos os seus filhos, nós e tudo o que acontece.

Dito de outro modo – estar vivo, mortalmente vivo.

Unir o acto à existência, é a dinâmica anterior, a acção com que a realidade seja do que for – se constitui e acontece.

A tensão entre poder ser e não ser , é a vibração de todo o intenso átomo de tempo, a força com que outro seja em que situação for – nos fita com os seus olhos vivos e despertos, olhos que um dia se fecharão como que para sempre.

Que loucura, Senhor, poderá enunciar a morte sem soçobrar?

(A dor, afinal – uma das filhas dilectas da liberdade.
Revela-se que toda a dor é primeiramente – uma decisão.
Nenhum olhar humano consegue contemplar e contemplar-se, nessa incalculabilidade profunda da vida, que a nossa razoabilidade, prenhe de causalidades e confundida nas casualidades, não consegue abarcar, mas por ela é abarcada e transportada, e até – fundada.)

É com voz nunca ouvida que a realidade diz o seu sentido, esse sentido em que nada morre e se esvai mas fica pousado no olhar que o sustenta e mantém, vivo como no primeiríssimo momento agora e para sempre.

Ámen.

17 Comments:

Blogger hellena corvo said...

A única dor (a única verdadeira) é a dor do coração trespassado? No seu significado mais ALTO?

5:57 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Huuuum... não sei o que queres dizer com "verdadeira"... mas é a possibilidade de toda a dor, a sua origem... o que funda a dor e lhe doa sentido (coisa que razoável e naturalmente a dor, por si e humana, não detém...)

Liberdade: possibilidade de qualquer tensão se tornar separação.

Aqui se dá o sentido da liberdade permitir o demoníaco. Como se o mal possível fosse um bem maior (um mais claro reflexo do divino) do que o constrangimento não livre do bem (que no fundo é um mal disfarçado, como a frustração quando se pretende renúncia...)

O deus padecendo, sim. Esse o significado mais alto.

Abraço, Hellena.

PS: Estes comentários saem com um ar um pouco douto ;) mas não são bem tal... Tratam-se de impressões minhas, de vida e pensamento ou whathever... Não pretendo possuir a verdade acerca destas coisas, mas exprimir a minha relação buscante com tal... Nem sei se este PS era requerido, mas ao reler os meus comentários de hoje soaram-me um pouco "o que se passa é tal e coiso..." enfim...

2:54 da tarde  
Blogger Luz Dourada said...

Venho desejar-te uma Páscoa especial, cheia de amor.

Um beijinho,

11:51 da tarde  
Blogger joaquim said...

Caro Vitor
Uma Santa e Feliz Páscoa.
Um abraço em Cristo

12:55 da manhã  
Blogger Fada Oriana de A Ilha dos Amores said...

'a possibilidade de toda a dor, a sua origem... o que funda a dor' (citei vitor)...

Oh, não é possível concordar mais consigo...do que concordo! Isso, eu aprendi, porque ...o vivi; até à medula dos ossos.

O que funda a dor, a sua origem, é o Amor.
Não propositadamente, é claro. Nós os seres humanos é que criámos isso, os motivos da dor insuportável, uns para os outros.

Só o amor dá liberdade.
No entanto, é a diferença entre a indiferença de quem não ama, que aparenta dar liberdade, e de quem ama, e que por isso dá liberdade.
Talvez que o cerne esteja na palavra 'dar'. Quem não ama, não 'dá'.
Deus DÁ Liberdade! Wuaw.. que imensidade!

''a possibilidade de toda a dor, a sua origem... o que funda a dor e lhe doa sentido (coisa que razoável e naturalmente a dor, por si e humana, não detém...)

Liberdade: possibilidade de qualquer tensão se tornar separação.

Aqui se dá o sentido da liberdade permitir o demoníaco. Como se o mal possível fosse um bem maior (um mais claro reflexo do divino) do que o constrangimento não livre do bem (que no fundo é um mal disfarçado, como a frustração quando se pretende renúncia...)

O deus padecendo, sim. Esse o significado mais alto.''

Ví(c?)tor, que palavras mais belas!



Assim...não sei, parece que há dores que fazem bem, e dores que fazem mal.
E essas temos que erradicar.
Aqui, as religiões têem falhado, e irritado.

2:23 da tarde  
Anonymous malu said...

Passando para te deixar um abraço.
Bom feriado e Santa Páscoa Vitor.

Beijinho.

12:19 da manhã  
Blogger Migalhas said...

Caríssimo Vitor,
uma Santa Páscoa

6:39 da tarde  
Blogger Klatuu o embuçado said...

Que - seja lá o que fazes nesta altura - te rodeie, com sabedoria e bondade.

Abraço, Vitor.

8:22 da tarde  
Blogger Nova Evangelização said...

+ + +
Caro Vítor Mácula

Faço os melhores votos de SANTA E FELIZ PÁSCOA para ti, extensivamente à tua Família.

CRISTO RESSUSCITOU! ALELUIA!

Cordiais saudações pascais.
José Mariano
+

12:31 da manhã  
Blogger Vítor Mácula said...

Olá, Luz Dourada.

Que outra coisa poderá ser verdadeira passagem senão através do amor que tudo une e reúne?...

Obrigado, e o mesmo sempre e mais para ti :)

Beijoca

1:12 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Caro Joaquim.

Obrigado.

O mesmo para si.

E um abraço :)

PS: Essa terrível felicidade da cruz…

1:14 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Olá, Fada.

(Agora lembrei-me dum amigo que me dizia melancolicamente: As pessoas agora acham lúcido e esclarecido não crer nem intuir fadas e gnomos, e no entanto pressupor quantas e átomos e fisicalide do tempo, é realmente curioso… Poder-se-lhe-ia retorquir que estava a confundir planos de realidade distintas (a poética e a conceptual) mas como sei que é precisamente esse um dos sentidos da melancolia, indistinguir os planos da realidade numa distância contemplativa que revela por trás de tais planos a mesma confusa humanidade, calei-me e sorri-lhe… fumámos um cigarro juntos olhando o mar, nessa ou noutra ocasião, isso sim… ;)

Sim, o amor e a liberdade… O amor tem o desejo que o outro se mostre e manifeste (em actos, palavras e omissões;) enquanto tal, isto é, enquanto “outro de mim” que se realiza e desvenda passo a passo – e que no limite, o faça em mim e comigo (contradição que só em Deus se “resolve”… ) O amor não detém o outro; devolve-o a si, e nessa devolução há revelação e construção mútua.

Bolas, pobres palavras prosaicas…;)

Seja como for, Deus dá-se; não sabe fazer outra coisa ;)

Quantas às religiões, penso que depende de que religião se fala… Relativamente ao cristianismo, o seu historial de manipulação política e psicológica está realmente repleto de negações das “dores libertadoras” em prol das “dores aprisionadas”, que ainda por cima são no mínimo pré-espirituais, visto que nem se aceitam enquanto dores mas são negação destas enquanto “retenção de vida” (e quem vive sofre, essa é que é essa). Mas o cristianismo é uma história enorme e complexa e cheia de zonas diversas e até contraditórias (como tudo o que é humano…) Passa-se também que todos nós, em menor ou maior grau, precisamos de alguma anestesia para passar fogos e farpas da vida…

Um abraço

1:38 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Querida Malu, os teus abraços, abrenções são para mim… ;)

Que esta Páscoa te abra mais caminho e sentido em Cristo.

Beijoca

1:41 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Igualmente, caríssimo Migalhas, que do amor e da dor tanto pensente e vive… Abração! :)

1:44 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Insigne Klatuu.

Aqueles que vêem a noite a arder, com a serenidade requerida para não se encadear nesse incandescer primordial em que se vivem – suspeitam que só a sabedoria e a bondade podem revelar o mistério das almas e do mundo.

Um abraço.

1:52 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Caro José Mariano.

E nesse divino acto, nos atrai para uma revitalização da nossa pequena morte (a tal, em vida, em que nascemos e nos tornamos).

De coração nos dias – a cordialidade… :)

Revitalizantes e tranfigurantes saudações, pois então.

1:58 da tarde  
Blogger freefun0616 said...

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2:03 da tarde  

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