segunda-feira, março 19, 2007

Herética

1. Se atentarmos à história da heresia, e respectivos concílios que se confrontam nela e com ela, reparamos que um dos polos de confusão é o mistério do deus-homem (no fundo, é o que passou a significar o epíteto “ungido” no cristianismo) e a tentativa de domesticar esse mistério dando primazia a um dos polos, humano ou divino. O pelagianismo escapa à primeira vista a esta tensão, mas numa problematização mais aprofundada, notamos que o facto de a natureza humana não poder salvar-se (comungar com o divino) a partir de si própria, se conecta intrinsecamente com a questão de Jesus ser também inteiramente humano. Esta apreensão histórica dá um sentido à etimologia da palavra (escolha) pois tem que ver precisamente com a escolha de um dos polos da tensão cristã.

Continuando a atentar, vemos no conteúdo herético, um dos polos da conversão contínua a que somos chamados. Se debitarmos os paradoxos da fé (inteiramente humano e inteiramente divino, para o caso) sem balançarmos dum para o outro, não é na carne da vida que estaremos a viver o cristianismo, mas tão só no discurso e na representação, o que não faz muito sentido pois o cristianismo pretende deflagrar estes para lançar-nos no transcendente e trazê-Lo à vida. É a tensão entre ambos que permite e instiga o movimento da conversão. Ou então estaremos a usar os mistérios da fé para os nossos interesses de grupo, ideológicos etc etc etc ao arrepio total do comportamento, precisamente… de Jesus.

O anti-cristianismo duma heresia não reside tanto no conteúdo humano ou divino focado, não se funda no seu estertor inicial – mas na pretensão de resolução da tensão numa adaptação a um ponto de vista ainda por transfigurar.

2. « Jesus é Deus ».

Ora se o « é » significa uma igualdade estrita, teremos de dizer, das duas uma :

- Jesus não é humano, pois nada humano é criador do universo ;

- Jesus não é Deus, pois Deus não nasceu numa noite qualquer num qualquer estábulo.

É a tensão entre ambos que permite e instiga o movimento da conversão.

Mistério que move.

A fixação do mistério em conceitos, numa tentativa de entendimento e inteligibilidade dos mesmos, e que constitui um dos movimentos da procura e do anseio, não pode anular a tensão, visto que é nesta que está a dinâmica.

É a igualdade irreflectida dos termos « Jesus » e « Deus » que obriga a fixação (só Deus ou só humano) ao contrário do que dizem os nosso preconceitos mais apressados.

É evidente que nós gaguejamos o mistério da relação de Jesus com Deus, em infinita diferença à nossa : consubstancialidade, da mesma natureza que, absoluta transparência e por aí afora confusamente.

Jesus é da mesma substância divina como eu sou da mesma substância do universo criado.

Em Jesus habita a presença total do divino, tenha ou não consciência disso em todos os momentos da sua vida, tal como eu sou totalmente habitado pela minha natureza, mesmo quando não penso nela ou a/me vou descobrindo e encobrindo continuadamente.

Jesus vê o divino com a mesma transparência com que eu vejo o meu habitat natural.

Mas tudo isto, obscuro está - é um mistério.

Chama-nos a mergulhar nele com confiança e terror, amor e segredo, e darmo-nos no mundo a partir dessa estilhaçante luz.

3. Podemos também reparar na questão da canonicidade dos textos neotestamentários. Lendo os apócrifos na sua radical diversidade entre si, não sou capaz de deixar de notar que estão no entanto imbuídos duma tentativa (natural, e que todos fazemos à luz da nossa personalidade, época e lugar) de tornar o paradoxo do humano-divino de Jesus categorizável, tal como aliás ocorre também nos evangelhos canónicos, mas dada a sua maior proximidade com o facto Jesus (tanto cronológica como eclesial ou apostólica) esse elemento é tratado de outro modo, isto é, mais conivente ao mistério. Isso não significa que os apócrifos sejam livros cristologicamente errados em todos os seus enunciados, a não ser no sentido que todos nos vamos errando no trajecto. Significa que correspondem à tradição, à longa caminhada de Deus no interior de cada um de nós, e que os textos neotestamentários, têm uma proximidade que mais nenhum outro texto nem memória têm.

4. Porque há uma rosa.

« Eu e o Pai somos um », e qualquer um que ande – tropeça perante tal afirmação. Que Deus nos pegue pelo colo nesse movimento (graça infusa) é outro momento do tropeço, ou outra questão, quero dizer – é posterior, em termos da dinâmica de conversão.

Isto leva-nos a notar também, que a heresia e a distância apócrifa têm uma certa correspondência nos enunciados apostólicos sucessórios, que tal como Pedro antes do galo cantar, ou enfrentado por Paulo em Antioquia – se retiram tantas vezes do que lhes dá voz e palavra.

Ó Deus do céu e da terra, do mar e dos infernos e dos soçobrados ventos e marés, eis os que na escuridão de si por Ti clamam, os que ainda vamos a caminho do que já chegou.

Até porque ninguém que não divino – pode estar mais perto ou mais longe do inquantificável.

Jesus é um inagarrável que nos arrebata, as mãos vazias e dolorosas erguidas à noite, no dia da invisibilidade do mundo, na sua completa opacidade.

Convém não esquecer o esquecimento. Convém não esquecer, que a Deus – ninguém detém.

Lembra-te. Como reconheceu Madalena o jardineiro?

24 Comments:

Blogger João Leal said...

Há aqui um pouco de fascínio pelas ideias. Que idade romântica da conversão essa é! Tenho saudades...
Com os anos, a novidade esvai-se e fica só o comodismo de quem já não tem pachorra para mudar. Mas vejo que ainda não está aí. Força, então. Maravilhe-se enquanto é tempo que isso é o melhor que a vida yem.

2:19 da tarde  
Blogger Pedro Fontela said...

Venho para aqui debitar a minha opinião pagã-herética :)

É o próprio acto de definir e de enquadrar racionalmente que destroi a essência do mistério religioso. Nisso os cristãos são mestres, só se têm a vocês mesmos para culpar por essa situação, ao querer alcançar a crença racional pregaram todos os pregos no caixão da vossa religião.

A chave, na minha duvidosa opinião, está na vivência do tal mistério. Para quem não o sente a coisa toma proporções de uma farsa teatral com ramificações perigosas. Mas mais uma vez o perigo deriva da vossa própria concepção de uma religião única para todos e que tem que interferir nas vidas de quem não está interessado.

5:02 da tarde  
Blogger Klatuu o embuçado said...

«Continuando a atentar, vemos no conteúdo herético, um dos polos da conversão contínua a que somos chamados.» Isso és tu, Vitor, que vives no pacato Séc. XXI e num cristianismo pacato... Os outros, os heréticos, só viram o fumo da fogueira.

Abraço.

11:40 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Caro João Leal.

Caramba, isso não será muito Lobo Antunes prá carola?... ;)

Com os anos o comodismo dói, e fica só a novidade de quem não tem pachorra para quedar-se.

Ou Deus ou sopas (em vernáculo – ou vida ou merda;)

Curiosamente, um dos pecados (falhanços de alvo existencial) mais estudado e refutado (com exercícios práticos, e não evidentemente apenas temático-lógicos ;) pelos padres do deserto era precisamente… a acédia, ou se preferir, o tédio vital.

Deus está sempre um pouco à frente também, e chama à caminhada. Como sabe, a peregrinação é a categoria judaico-cristã por excelência. E la nave va… ;)

Força para quedar-se, força para se impelir, força para ambas.

Conheço quem tenha mandado a igreja mais os domingos domingueiros à bardachice por urgência de revitalização. São trajectos, de vida e fé… Refiro-me como é evidente a pessoas que mantém a fé cristã e seus misteriosos apelos, e não quem tenha abandonado uma prática habitual pela verdade de não fé que no fundo sempre o habitou, o que também só pode fazer bem. Só a autenticidade de si é vital, o resto é morte em vida. Também há quem se quede teimosamente, como que numa espera de quase desafio. Mas o segredo vitalizante aqui está na teimosia, e não na queda do quedar-se ;) E há quem vá encontrando no ciclo ritualístico renovações contínuas do seu trajecto, como quem se alimenta para continuar a viagem…

Cada qual é um trajecto sem fim, tão próprio…

Enfim…

Um abraço

11:37 da manhã  
Blogger Vítor Mácula said...

Pierre, Pierre, Pierre, não podes ser herético e pagão, que raio… Só um cristão pode ser herético ;)

Bem, e quanto à racionalidade, é preciso ter cuidado, pois ela é um eixo funadamental de muita coisa na nossa vida.

Ela tem, para o caso, três momentos. O primeiro é a produção dum conceito que corresponda à ocorrência, e que desta se distingue, tal como o conceito de cão se distingue do Bobby, ou o conceito de amor se distingue dum namoro. Ou seja, há determinações genéricas que se podem aduzir nas classificações. O segundo é a aferição das relações entre essas determinações – o momento analítico. O terceiro será a aferição das relações de tal conceito com outros. Pode também haver um quarto momento, extensão deste, que é o momento sintético, isto é, ter uma representação do todo do mundo e da vida onde evidentemente se insere tal e tal ocorrência… Este é um momento muito perigoso, porque dada uma peculiar tendência nossa, podem aqui inverter-se os valores de realidade, e subsumir a vida num dado sistema representativo que a sufoque (isto aqui tem que ver com psicologia, e com política também), ou melhor, que se sufoque na fixação de si próprio. É o que acontece geralmente com as ideologias.

O que se passa nos mistérios é que há uma tensão entre determinações (para o caso, eterno e temporal, criador e criatura, infinito e finito, universal e singular…) ou conceitos (para o caso, divino e humano…) Não significa que se deva renegar a racionalidade, antes pelo contrário, ela deve manter-se e ser tomada pela interpelação (um pouco como se passa na experiência amorosa, assim como nalgumas experiências estéticas…)

O facto das crenças e dos afectos ( no sentido daquilo que se imprime e impõe a mim dos miasmas de mim próprio e da míriade de estímulos exteriores, e não apenas no sentido sentimental, mas evidentemente também) não deve excluir a reacção da razão. O perigo está sempre num despotismo duma das nossas partes, para falar um pouco à Platão ;)

E claro, os cristãos, tanto pessoalmente como social e institucionalmente, não estão isentos destes males e perigos. De modo nenhum. A fusão histórica entre o poder político e o religoso faz das religiões uma área onde estes males e perigos estão até muito patentes…

Mas aqui, digamos assim, só posso falar por mim. Eu tenho amigos budistas, muçulmanos, agnósticos e ateus (peço aqui desculpa a algum que porventura não se enquadre em nenhum destes termos:) e nunca lhes tento impor o cristianismo, a não ser no sentido dialogal e vivencial, como é evidente… Quero dizer, damo-nos uns aos outros na relação, mas isso não se passa apenas com a vivência religiosa. Claro que de vez em quando os ânimos elevam-se, mas isso, é a vida, as pessoas…

Eu penso que não há uma religião única, pelo menos aqui na terra; mas considero que é possível haver um humanismo único, ou melhor: é pensável.

Algo do género.

Um abraço

12:31 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Bem, Klatuu, eu penso que o meu comentário para o Pedro dá algumas indicações relativamente às fogueiras (sejam elas físicas, sejam elas psicológicas e sociais…) da Inquisição and so on…

Mas o que eu quis dizer é que também a ortodoxia está repleta de momentos heréticos, e a heresia de momentos ortodoxos, e que se trata duma dialéctica de desenvolvimento e aprofundamento, que deriva da paradoxologia do mistério e da vida.

Deus dá-nos cabo da pinha e da vida, mas isso é porque primeiro, a vida nos dá cabo da pinha ;)

Voltando às fogueiras, não quero brincar com coisas sérias… Não sei o que se passa quando nos torceram e esticaram os ossos e nos arrancaram os dentes e estamos com uma tenaz a esmagar-nos os tomates ou uma ratazana esfomeada a entrar pela vagina… Isto para mim está muito além da religião, ou melhor, não se reduz a esta… Antropologia, meu caro… The horror, tartamudeava o Kurtz…

A humanidade é terrível.

Considero no entanto um dever lutar pela dignidade e pelos direitos humanos. Precisamente porque somos capazes dos maiores horrores e das maiores maravilhas.

Abraço.

1:00 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Vítor

Venho aqui de vez em quando, mas não comento, o que não quer dizer nada.

Mas deixe-me dizer-lhe, sem medo nem respeitos humanos, que eu penso e sinto que há uma Única Religião Verdadeira: a Cristã.

Se assim não fosse, de duas uma: ou era simplesmente cristã por atitude cultural e hábito e, da mesma maneira seria-me indiferente, pela mesma atitude, ser budista ou ter outra crença qualquer; ou então não teria religião nem crença nenhuma, porque dizer sim e não ao mesmo tempo é falso.

Quem abraça uma Religião deve fazê-lo com convicção, acreditando na Verdade da Revelação nela contida e, portanto, é impossível aceitar que outra Religião qualquer seja tão verdadeira como a sua. (Pode até estar enganado, mas para a própria pessoa que crê, a sua é verdadeira e as outras têm logicamente de ser falsas).

Assim, apesar de compreender os pontos de vista das outras religiões, não tenho que os aceitar e muito menos pretendo impor aos outros seja o que for. Os Evangelhos estão abertos a quem quiser conhecê-Los.

É certo que vivemos numa época de puro relativismo (onde tudo vale, tudo é aceitável e cada um tem a sua verdade) e remar contra-a-corrente torna-se difícil, quando não pior se é apupado e insultado. Mas desejo manter-me firme na minha Fé e acredito que "fora da Igreja não há Salvação" e que Cristo é o Único Mediador, o Único Senhor, a Única Verdade.

Ora, assim sendo, como poderia aceitar em pé de igualdade as outras religiões?
Preferia não ser nada, não ter nenhuma.

1:07 da tarde  
Anonymous Malaca channel said...

E por estas e outras que gosto muito de ti em tom carmim.
O barbas alimenta-nos, mas o pontao `e a grande aventura. Em frente marinari, toca a trombeta em tom avanti.A vida.

P.S. porcaria destes computadores daqui que nao permitem acentuacao.
Abracos grandes e beijinhos

2:09 da tarde  
Anonymous blues said...

Poderia ver ouvir cheirar, queimar-me no fim do universo não fossem as solicitações do meu corpo a distrair-me. Ventos solares são belos belos, mas quão errados e eu também não tenho solução.
grande beijo e acende a tua.

5:29 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Cara anónima.

Bem… o seu comentário, para a minha nhurrice, é um pouco indefinido nos seus termos e contextos… A “Verdade da Revelação”… não sei se as maiúsculas são indício que se refere estritamente à revelação bíblica, e aos seus desenvolvimentos ou aprofundamentos temáticos, culturais e vivenciais na cultura judaica e na cultura cristã… se inclui a revelação corânica ou não… e, sei lá… quando diz “Quem abraça uma Religião deve fazê-lo com convicção, acreditando na Verdade da Revelação nela contida » se refere apenas às religiões que têm esta noção de revelação literária do deus único de Abraão, pois que tal noção de revelação não é comum a todas as religiões, e no exemplo que refere – o budismo – não há sequer noção de revelação do divino (embora aqui, claro, dependa da noção que dá a « deus » ou « divino »…)…

Seja como fôr, a ideia de revelação de Deus, mesmo no seu aspecto mais alargado e indefinido é algo que muito me interpela e forma a minha pinha e acção, no sentido em que há « algo que se mostra »… Eu pensinto e vivo o « deus mostrando-se » de inúmeras e infindas maneiras conscientes e inconscientes na minha vida… Desde os encontros e acontecimentos desta no sentido geral, passando por frases ocasionalmente oferecidas numa parede qualquer à luz do fim de tarde numa alegria melancólica dum beco qualquer, assim como nas actividades humanas da ciência às artes e literaturas e por aí fora… Ah, o sorriso do desconhecido… E a gota de água que pinga no luar de outono, do beiral do telhado para o soalho do alpendre, lenta e brilhante… A natureza, claro e biblicamente também (as obras reflectem o obreiro…)… A oração pessoal, muito… O amor… E evidentemente, a revelação judaico-cristã e sua influência e irradiação, dum modo muito especial e específico.

A verdade, sim… e a sua unicidade. Aqui, mostra-se especialmente a minha particular nhurrice : passa-se, e penso que isso é evidente no meu post, daí me escapar um pouco o contexto do seu comentário, que eu creio que em Jesus Cristo se dá a maximização ou completude da comunhão deus-humano, e que através Dele esta me é doada. Que o Deus revelado em Cristo é a verdade que corresponde ao que funda e finaliza o sentido de todas as coisas visíveis e invisíveis é em mim e para mim uma intensa petição de fé. Trata-se do divino que reconheço nos tais inúmeros sinais extra-bíblia e etc. Na humanidade de Jesus mostra-se o espelho humano totalmente polido, reflectindo transparentemente aquilo de que é imagem e semelhança… e havendo unicidade de verdade, o aspecto antropológico de tal é passível de comunicação e partilha com não-cristãos. Isto é, as coisas todas – da razão aos fenómenos e disposições – reflectem Deus de um modo ou outro, com mais ou menos opacidade. Não vejo falsidade total, apriori, em nada, e também não nas outras religiões e irreligiões.

Nesse sentido, sou pouco barthiano, isto é, não considero que tudo o que esteja fora da revelação judaico-cristã esteja separado de Deus por um abismo, uma total opacidade… alinhando com ele no entanto no entendimento que tudo (incluindo a Igreja e eu próprio) está de algum modo em pecado, isto é, desviado do seu sentido, não reflectindo Deus em total transparência, e nesse desvio originário, não se mostrando na sua verdade, fazendo de nós cegos, surdos e mudos… mas não totalmente. Sobra-nos, digamos assim, murmúrios, figuras na névoa, sombras e fogachos de luz… Quem se conhece e conhece as coisas, a vida ?… pois. Mas é por a existência ser um entre isto e aquilo, entre o apelo e a chegada, entre o reconhecimento e a estranheza, o amor e o desaire, o conhecimento e a ignorância, etc, precisamente, que se trata duma peregrinação.

Quanto à totalidade da relação divino-humano em Cristo, nós temos acesso a tal através da oração, da comunhão, da atenção aos sinais da vida, dos textos bíblicos e tradição… mas… sei lá… passa-se aqui que nós não temos um acesso claro à realidade de Jesus e que não basta ler a bíblia ou ouvir homilias para « estar-se e saber-se com Deus »… dizer que « os evangelhos estão abertos a quem quiser lê-los » parece-me um simplismo pouco evangelizador, pouco rasgado de boa nova e dialogalidade… acrescentando-lhe o « fora da igreja… » e embora eu não apanhe o que quer mesmo dizer com tal (se todos os que não são baptizados e vão a celebrações cristãs estãos condenados ao abismo de separação da vida e da verdade, ou se mesmo não tendo connhecimento de tal, através da sua boa vontade e verdade relativa são salvos através do Deus de Jesus Cristo…) parece-me, sei lá, um pouco confuso… Quem conhece Deus na sua totalidade?... Quem pode julgar a comunhão de outros ?... Quem sabe da fase de cada qual no seu trajecto, e do seu sentido ?... Enfim…

Também não percebo muito bem a que se refere quando diz « sem medo nem respeitos humanos. » Deixo o delicado problema do medo de lado, mas se se está a referir a um respeito cristão, isto é, um respeito pela sacralidade do humano, de cada pessoa… parece-me que um respeito cristão que não inclua e abrigue os « respeitos humanos », não sei, a mim é-me totalmente abominável – não pertence ao deus que me chama :P

Quanto ao famigerado « relativismo », tão em voga agora na boca de católicos por eco de Ratzinger/Bento XVI, teria também de explicitar-se. Em Ratzinger tem que ver com uma petição epistemológica e filosófica, a da unicidade da verdade que possibilita uma unidade no humano e um sentido global deste. Não se trata como é evidente, de afirmar que nada é relativo e tudo é absoluto ou outra incompreensível afirmação do género como já tenho ouvido praí…. Que a Igreja ou o papa são absolutos, por exemplo, o que constitui uma idolatria (substituir Deus por um seu reflexo, o que na tradição dos padres da igreja se diz « confundir a criatura com o criador », o acesso ou caminho com o ponto de chegada…) A Igreja militante é temporal e relativa, e indo mais « longe » e para finalizar este comentário, a própria incarnação é temporal e relativa (tem o seu sentido último na transcendência divina).

Isto foi um pouco divagado, mas pronto… com um comentário tão genérico e indefinido, foi o que se conseguiu arranjar ;)

Um abraço

11:40 da manhã  
Blogger Vítor Mácula said...

Querida Malaca Channel (uau!)

E por outras tantas outras eu gosto muito de ti em tom violeta :) :)

E é mesmo isso, carago! Às vezes dá-me a impressão – e isto desde miúdo;) – que o que me estão a propor é apenas a casa em terra e alimento sem o pontão que abre para o infindo horizonte, ou então apenas o infindo horizonte… Ora eu, sem ambos, não vou lá (ao sentido).

Curioso, aqui se funda muito da minha exigência de integralidade de vida que encontro e procuro no cristianismo.

Abreijos muitos.

PS : Meu deus, essa malta pra lá da Taprobana já anularam a presença secular portuguesa, até nos teclados de computador ?! :)

PS 2 : Avanti com a vida, claro ! Que mais podia ser ?...

11:54 da manhã  
Blogger Vítor Mácula said...

Olá, blues.

E o corpo chegará ao fim do universo, rasgando-se sem dilacerar-se… e vem-me à mona, que os ventos solares entrelaçados em ventos lunares, talvez se sofram e duvidem mais, mas que soprem mais no que se passa verdadeiramente connosco para aqui vivos… solver solução, não tê-la e sê-la sê-la de algum modo… um pouco certo, um pouco errado… confiantes na sua insegurança, os cavalos relincham ao aproximar-se da fogueira.

Beijo aceso e belo, caríssima.

12:12 da tarde  
Blogger Klatuu o embuçado said...

A heresia é ortodoxia; a ortodoxia é heresia. Deus é Deus. E um cavalo é um cavalo... mas, ao contrário de Deus, eternamente parado, um parado - salvo seja - que se move, Nada e Tudo, e Tudo-Nada para o Mundo... um cavalo é mais cavalo quando corre...
É por isso - também - que o meu deus-no-mundo é o Anjo.
:)
Abraço, Vitor.

10:12 da tarde  
Blogger Klatuu o embuçado said...

P. S. «Uma Única Religião Verdadeira: a Cristã.» (!)

Ora, pois.

Trouxeste fósforos, Vitor?
Eu não preciso... consigo fazer fogo do nada...

10:15 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Bom dia, Klatuu.

Não, a heresia não é ortodoxia, nem vice-versa. Mas é confrontando-se com a humanidade de Jesus em tensão com a sua divindade e vice-versa que se nos vai, aos cristãos, configurando a existência cristã. Está em jogo algo mais do que o plano temático e teórico, que no fundo não passa duma bengala, ou mais correctamente – de pegadas ou sinais. Como os ridículos poemas de amor ;)

Vai dito assim porque os sinais cristãos (que além de palavras temáticas incluem relatos, memórias, que remetem para actos e atitudes que novos sinais figuram, e porventura sobretudo, actos e atitudes que em nós e connosco ocorrem directamente na nossa vida, e claro também as coisas e acontecimentos que presenciamos…) são pegadas do deus em nós – na História, na incarnação, na vida pessoal de cada qual.

Nada acaba em si, e o cavalo é cavalo também na sua não-cavalidade (paciência para o acidental aristotélico, e para o princípio de identidade, que no entanto se deve manter como aspecto do real, mas não como sua totalidade de sentido ;)

Quanto à religião mais verdadeira, a questão é: se aceitares que o verbo divino encarnou, nesse acto e presença há mais intensa e extensa reflexão do divino do que num seu mensageiro directo (anjo), ou seja, mais verdade. E também mais do que em qualquer humano, por mais sábio e inspirado que seja. Mas se pensares Cristo apenas como profeta (heresia!;) havê-la-á mais num anjo. Mas isto, mesmo cristologicamente, é uma petição de princípio. Ou seja, não garante que a efectiva acção (teórica e prática) dos cristãos corresponda sempre ao dizer-se do deus (longe disso, aliás).

É uma questão de fé.

E claro que tenho fósforos, e isqueiro, e duas pedras de sílex – mas o fogo, tal como a matéria de toda a minha tecnologia, assim como a inteligibilidade do universo que a permite – é-me anterior, e doada. Quando vem do nada, das duas uma: ou vem de algo que não apreendo mas não é deus, ou vem de deus directamente.

No fundo, tudo o que há, acaba por, no seu limite ôntico – levar ao divino.

Abraço



PS: A quietude que move e se move… certíssimo. Lá se vai o princípio de não-contradição, que no entanto deve manter-se etc ;)

12:25 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Os cristãos crêem em Cristo; não o conhecem.

Vão-no conhecendo directamente (relação interna com ele) e relativamente (precisamente, em relação com ele).

E a sua diferença divina carrega um diferença radical, algo de radical e essencialemnte desconhecido, e nisso mesmo reconhecível.

Esta relação é da ordem do ontológico: doa ser. Ou se preferirmos, é da ordem do amor.

Esta relação interna dá-se não apenas na oração e meditação solitárias, mas na acção e relação com a vida e os outros e as coisas...

Algo do género 2 ;)

Assim credo...

1:36 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

E como não sei se ficou claro o meu pensentimento, cá vai: Deus dá-se também nas outras religiões e irreligiões. E tantas vezes não. Tal como a rejeição de Deus se dá também no cristianismo histórico, e no pessoal...

Eu creio que a revelação plena de Deus se dá em Cristo. Mas não nas representações de tal que temos, tantas delas carregadas de profanidade (e bem, senão não nos incluíriam e transportariam). Nem sequer nos tão tão próximos textos vetero e neotestamentários, que considero terem no entanto a máxima dialogalidade com o divino doando-se.

Que eu suspeite, a parusia ainda não se nos ocorreu.

1:53 da tarde  
Blogger hellena corvo said...

Habituámo-nos demasiado a ver o "cristianismo" como uma Religião, ainda que a "verdadeira": e no entanto "re-ligar" só pode ser um conceito pagão. Se Cristo viver em mim, que há que não esteja ligado ao fundamento das coisas? E se não viver, como é possível transpor o abismo?

4:33 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Vítor

Ai meu Deus, em que eu me fui meter!

Já vi há muito que é de Filosofia (outros há, porém, que o sendo, não conseguem chegar tão fundo nem tão alto).

Estive trê dias de molho e quando cheguei aqui ontem, ainda atordoada, até fugi depois de ler as suas explicações.
Não tenho arcaboiço para me meter por esses meandros teológicos; sou mais directa, o que por vezes, acaba por ser complicado, pois ao querer simplificar se complica...

Mais uma vez, para ser rápida e directa:
o meu comentário veio a propósito do seu comentário (última parte) ao Pierre;
quanto ao relativismo, o eco que dele fez B.16, levou-me tão-só a aplaudi-lo, porque há muito que perfilho dessa posição e não sou maria-vai-com-as-outras. Foi daqui que me saltou a tampa e resolvi comentar;
quando me referi aos Evangelhos estarem abertos..., quis tão só dizer, no meu simplismo que, apesar de toda a Evangelização que deve fazer-se, só adere à Mensagem quem quer, pelo que ninguém tem de impôr nada a ninguém - cada um é livre de seguir o seu caminho.

No "Evangelho Apócrifo", que costumo ler à noite na cama (embora me fique a doer o cóccix -ah,ah,ah), tem uma passagem em que um pagão grego interpela Jesus acerca das diferenças entre pagãos e judeus.
Jesus diz-lhe que os pagãos possuem algumas verdades da verdadeira fé; como os seus vasos estão fissurados deixam escapar partes da Verdade. Existem situações em que isso não causa muito dano; outras porém são prejudiciais, etc.
E continuando, vai dizendo que até àquele tempo, ninguém seria condenado por desconhecer o verdadeiro Deus; Ele porém veio para dar vida em abundância a todos, judeus e pagãos. Após a Sua morte, os seus discípulos iriam pelo mundo anunciar a Boa Nova do Reino para Salvação daqueles que a quisessem abraçar.

E porque para mim Ele é o único Caminho, Verdade e Vida - é que penso como penso e sinto como sinto.

E daqui tiro constantemente a minha interrogação e perplexidade quanto à vinda de Maomé. Não precisavamos de mais profetas, logo, acho que ele foi falso.
E digo-o abertamente, porque tenho consciência de que não o faço por preconceito nem ódio contra um povo, pois apesar da religião, muito admiro a cultura árabe e muito tenho defendido os muçulmanos contra as investidas hipócritas dos ocidentais, que em nome do dinheiro e do poder lhes fazem guerras e blasfemam dizendo que o fazem em nome de Deus.
O humanismo de cada um está no respeito e na dignidade que devemos uns aos outros como seres humanos e não se achamos verdeira ou falsa a sua religião.

Quanto às maiúsculas, ponho-as sempre que a significação das palavras me merecem alto respeito, amor e consideração.

12:37 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Cara Hellena Corvo e caro Consciente.

Sim.

No entanto, é intrínseco ao cristianismo, e patente na sua história, teologia e prática – uma tensão entre o rasgar do véu no templo (Deus religando a si o humano na incarnação, deflagrando as divisões sagrado/profano, natural/sobrenatural, puro/impuro, sacerdócio específico/sacerdócio universal, etc) e a reposição desse mesmo véu (concentração no aspecto divino da incarnação, intensificação do aspecto sagrado dos lugares de comunhão e peregrinação, separação social marcada entre o sacerdócio universal e o ordenado, etc). É nesta tensão que se dá o sentido e não-sentido do cristianismo, correspondendo esta tensão ao movimento confuso da conversão.

Parece-me pois, e isto é claramente uma obsessão minha ;) que o nó da tensão não está apenas no ver, mas no viver. Passa-se que o paganismo (seja o de Platão, de Cícero, de Sitting Bull, da Virginie Despentes ou dos Virgin Prunes ;) não é negado, anulado ou recalcado, mas interrogado, renovado, reconfigurado. A conversão não é uma negação do que somos, mas uma revitalização, uma transfiguração. Por menos ou mais visível que nos pareça, a borboleta mantém em si a larva de que botou.

Corresponde ao que tradicionalmente se denomina de graça e pecado. A ideia de pecado, que tem um sentido etimológico de « falhar o alvo », não implica necessariamente um des-ligamento absoluto, mas um desvio, um equívoco existencial, uma cegueira. Todos nós estaremos desadequados de nós próprios, e os próprios anseios movem-se numa dinâmica que não os esclarece nem realiza (ver e viver… ;) Passa-se no entanto que Deus, executando a ponte entre Ele e nós, mantém a exigência amorosa de que nos disponibilizemos ao acolhimento da divindade. E todos nós teremos resistências ao « Cristo viver em mim », e é esse o sentido renovado dos ritos religiosos privados e comuniais. E também duma tomada de consciência, decisão e acção, dessa situação existencial dada do « abismo transposto ».

Isto não significa evidentemente que tantas vezes não façamos novamente véu e separação e desamor ; é o lado demoníaco (divisor) de nós próprios, e também dos cristãos.

O lado polémico de tal está patente na letra do hip hop que o Consciente linkou, cuja letra e referências perspego:

« Seja feita a Vossa vontade

No mundo reinam as trevas, fomentam guerras, sem tréguas
Bin Ladens, Al-Qaedas, Bush e essas merdas
Temperatura aquece, ferve como termas
Há kamikazes à solta, yo explosivos com pernas
Pessoas morrem à fome, recebem o mal de bandeja
E o Papa no palácio com riqueza da Igreja
Que eu saiba Jesus Cristo não andava de BM blindado
Ele morreu crucificado com uma coroa de arame farpado
Eu olho para o Papa e vejo o Diabo, Ámen
Mas com todo respeito, espiritualidade é o meu conceito
Dou-te só caridade como exemplo
Eu falo com Deus e não preciso de um templo
Eu não preciso de um templo
Dou-te só caridade como exemplo
Fala já com Deus, boy não percas mais tempo

Refrão:

O diabo está na Igreja, pessoas pensam que é Deus
Mas a Igreja em que tu rezas, yo explora os teus
Sem dúvida que não, não é obra de Deus
Caridade não se paga, yo senão não há mérito
Religião é amor, não façam dela um comércio

Dizem ter boa vontade, mascaradas de amor
Mas na realidade não representam o Senhor
Porque entre mim e Ele, entre ti e Ele
Não existe ninguém boy, só nós e Ele
Nem mesmo padres, bispos, papas ou cardeais
Eles pecam como nós, são pessoas normais
Igrejas eram espirituais, hoje são centros comerciais
De uma grande empresa que explora a fé de qualquer alma indefesa
Cambada de hipócritas, no Vaticano, mano, limpam o cú com notas
E mais uma vez repito, a Igreja é quem nos explora
Falam da casa de Deus, mas Deus ali não mora
É tudo mentira, a causa não é divina
E a Bíblia que tu lês são histórias da carochinha
Porque a verdade é mais polémica que a Mónica Lewinsky
E muito mais complexa que o Código Da Vinci
Que só revela o segredo dos Iluminatis
Revolução espiritual, disparo como Mariachis
Que só revela o segredo dos Iluminatis
Revolução espiritual, disparo como Mariachis

Refrão

Eles fazem um comércio de figuras e estátuas
Igrejas repletas de ouro e pratas
Deus é um chamariz p’ra atrair mentes fracas
Tu lá não vês caras, vês máscaras
Não vês corações, vês pedras
E a fé é trocada por moedas (vê se enchergas!)
Espírito em vez da carne, o coração em vez de do corpo
Procura a verdade, ou tua verdade é estar morto
Porque a minha é lutar e libertar qualquer escravo
E nem que para isso tenha que ser crucificado
Yo crucificado, yo crucificado
E nem que para isso tenha que ser crucificado

Refrão

Igreja é Igreja, Deus é Deus
Deus não usa a Igreja, mas a Igreja usa Deus




Produção: Gijoe como Sickonce
Letra: Spell
Voz adicional: Filipa Branco
Arranjo violino: Simon Six
Scratch: Gijoe
Gravação: Estúdios Kimahera »

E todavia Deus também usa e está na Igreja, na contra-Igreja, na sem-Igreja... Ou seja, no limite, Consciente, tem lógica, mas falta-lhe a supra-lógica divina. Onde Madalena reconhece o jardineiro e os discípulos de Emaus o ressuscitado...

O Livro de Job é outra (ou a mesma) das minhas obsessões ;)


Um abraço

1:03 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Cara anónima.

Qua a minha basófia não a coíba, caramba ;) Isto cada qual tem as suas vias, estilos, discursos, modos de viver…

Volto à minha questão: se a representação e acolhimento consciente e inconsciente de Cristo na nossa alma no-Lo dá de imediato na clareza e plenitude. A mim, não me parece. Ou seja, pretender deter a verdade final porque se foi tocado na carne pelo deus humanizado e humanizante, pode ter efeitos colaterais tão perigosos e confusos quantos os vasos pagãos: uma idolatria duma representação crística pontual e fechada e imobilizada, e uma pretensão a poder julgar os outros, a vida e o espírito, do ponto de vista de Deus, substituindo-se “farisaicamente” à acção real Deste nos outros, na vida e em nós.

Não faço a mínima se era ou não preciso Maomé… Sei que o islamismo, em muitas das suas manifestações, abre caminho e sentido ao divino. E em muitas outras o obnubila. Mas sabe, o mesmo se passa no cristianismo… E sem que isto signifique igualdade alguma, há que ater às semelhanças e dissemelhanças, como é evidente. É apenas uma estrutura antropológica que Deus perturba e sacode… lá, cá e acolá. Isto é, a universal resistência à acção de Deus.

E quanto aos profetas, os cristãos precisam sempre da profecia retro-activa (reacendimento de Cristo) e prospectiva (desenrolar do Pentecostes até à parusia).

E porque para mim Ele é o único Caminho, Verdade e Vida – busco-o em todos os lugares e formas que se me apresentam ou invadam. Não basta dizer o Seu nome para garantir a Sua vinda e acção, como evangelicamente sabe. Até os ímpios ateus O trazem por vezes à terra e à vida :P E os que balbuciam o Seu nome tantas vezes o traem e renegam… Lembra-se do centurião que amava o seu criado doente como um filho?... Estava já convertido ao amor, o raio do pagão… e por tal o reconheceu naquele estranho nazareno…

Bem, e no seu sentido maiusculado, ser cristão seria pôr maiúsculas em tudo na sua origem, dos periquitos às ideias, das manchas no passeio às das obras de arte, dos dias de molho às dores no cóccix ;)

E aqui vai, para acrescentar à noite na cama:

“Velai a que ninguém vos confunda
Dizendo:
“Aí está Ele,
Ali está Ele.”
Porque é no interior de cada um
de vós
que está o Filho do Homem;
ide a Ele:
os que O procuram O encontram.
(…)
“Não imponham nenhuma outra regra
senão aquela que Me testemunha.
Não acrescentem leis às daquele que deu a Tora,
para que não lhes ficais escravos.”
(Evangelho de Maria, apócrifo copta do séc. II)

Um abraço

PS: "Deus mostrando-Se"... é um grande berbicacho ;)

1:57 da tarde  
Anonymous consciente said...

Apenas acho que a igreja abusa da fé. por isso cita a ultima frase da musica.
"Igreja é Igreja, Deus é Deus
Deus não usa a Igreja, mas a Igreja usa Deus"

Acredito num deus, não no Deus concebido pela igreja.
além disso só o conceito diz tudo.
Se alguem individualiza uma palavra geral, deus, que serve para carectrizar qualquer força divina superior a nos, e faz dessa carectrização geral um nome proprio, Deus, dizendo que apenas este deus é o verdadeiro, e que arderemos no inferno se não o seguirmos... bem, se isso não é sede de poder, então não sei o que será..

6:59 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Caro Consciente.

Huuuum… isto aqui depende um pouco do que quer dizer com “Igreja”, que é um fenómeno comunitário e histórico com a sua complexidade.

Seja como for, interpela-me essa noção de “deus concebido por”… aqui o que me ocorre e faço, é um pouco como na relação com alguém, ou no desvendar e construção do real. Isto é, penso que a relação se dá nos dois pólos (para o caso eu – e este eu é cultural e relacional, incluindo assim muitos tus que se me dão e me configuram também, a começar pela língua em que falo – e Deus, esse misterioso apelo. Há evidentemente uma produção minha de sentidos e representações, e que constituem mediações com o outro. E há embate, faísca, de mim com o outro através de tais mediações. Trata-se duma dinâmica existencial e relacional, sempre e em tudo.

Pretender que se acredita num Deus, e que não se produzem representações e actos próprios na relação com isso em que se crê… parece-me um pouco como amar e não tocar. Que se tenha noção que o outro transcende, e por vezes até contradiga, as representações e actos da relação é uma coisa – e com Deus, isto é eminentemente evidente ;) Por isso o amor se exprime tantas vezes em silêncios e olhares de acolhimento e abertura. Mas anular a minha construção e indagação acerca do “fora de mim”, é anular as relações e fenecer ambos pólos.

Os nomes de Deus são os nomes da relação, e revelam-nos sobretudo a nós-próprios. O Deus é garante da veracidade dessa revelação (e aqui entramos na fé).

Que a Igreja use tais processos para manipulações políticas – certíssimo. No entanto, a Igreja não se reduz a tal… mas aqui voltaria à minha frase inicial ;)

O Inferno é outra fruta (arder, arder, é também o Paraíso, só que para uns o fogo do amor será purificação e comunhão, e para outros contaminação e negação)… trata-se de pôr-se a possibilidade de negação da comunhão com o divino. Tem que ver com a vontade e a liberdade. Quanto a saber quem, no limite existencial, se encontra num ou noutro estado… só Deus sabe ;)

E o Deus judaico-cristão não corresponde ao "género divino", isto é, às determinações que as culturas e pessoas têm vindo a atribuir como "superiores a nós". Os anjos não são "deus", precisamente. É afirmada uma transcendência absoluta, bem para lá do que "é superior a nós".

Abraço

11:47 da manhã  
Blogger freefun0616 said...

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2:02 da tarde  

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