quarta-feira, setembro 07, 2005

Bom senso ou loucura

Religião, religião, religião – tanto se fala em religião. Estou num jantar, religião; abro o jornal, religião; preencho um questionário, religião. Para além de modas e factos socio-culturais e políticos, isto tem o seu pressuposto religioso – que a religiosidade é uma estrutura fundamental, no sentido em que a posição religiosa do sujeito seria algo que acompanhasse todo e qualquer momento da sua vida, visto que configuraria a sua concepção do mundo, de si próprio, enfim, toda a dinâmica de valor e sentido que orientaria a pessoa religiosa. Pois, a pessoa religiosa. Mas quem de nós é religioso? Quem vai ao templo, aos lugares sagrados nos dias sagrados? Ora, ora. Não falemos para já de cristianismo e sua dinâmica sagrado/profano em que há tanto a dizer. Falemos genericamente. Na religiosidade, o que está em jogo é ser chamado a executar algo na carne de si-próprio. Atingir o nirvana, a santidade, etc, não é ter uma teoria e um discurso sobre o assunto e prosseguir a sua vida sem mais. Também não é uma região da vida, como o desporto, o trabalho, os interesses, etc, que se executa em determinado tempo e lugar e que se acrescenta ao ror de actividades com que cada qual vai preenchendo o hiato dos dias. A conversão religiosa é existencial – o que não significa que se “veja” de fora. Trata-se sempre de reconfigurar-se existencialmente. Transformar-se. Mudar de vida. Não se trata apenas de mudar o seu comportamento para adequá-lo à realidade de nós próprios que constantemente se nos escapa. O que se propõe é uma mutação que transforme o próprio. Repito, mesmo que tal não se veja espectacularmente – o religioso pode não deixar de trabalhar, ir ao café, passear com amigos, mas a remissão de sentido e orientação existencial mudou radicalmente. A relação com tudo que veio, que vem e que virá ou não, é que mudou. Nesse sentido, todas as coisas foram renovadas. A religião não é algo de regional.
Na religião não se trata de atingir o equilíbrio e conhecimento de si próprio – talvez também mas não essencialmente.
Na religião não se trata de interiorizar normas morais e jurídicas como base fundamental da sociedade - talvez também mas não essencialmente.
Na religião não se trata de ter um conhecimento objectivo sobre a vida e suas dinâmicas afim de melhor se adequar às suas condições - talvez também mas não essencialmente.
Na religião trata-se de… ora bolas.
Afinal, talvez tão pouco se fale em religião, e a aparente realização da profecia do outro acerca do séc. XXI ocidental vir a ser um século religioso... Usa-se muito a religião para fazer e falar doutras coisas, isso sim – a felicidade, a riqueza espiritual e cultural, a intersubjectividade pacífica ou não, a moralidade, a política, e por aí fora. Por isso é que a existência de Deus, a eternidade, a ressurreição dos mortos, etc, andam arredadas de tantas conversas e discursos cristãos. Por vezes, a tal ponto que não se percebe se estamos no âmbito da religiosidade ou no da cultura, psicologia, sociologia, etc Mas você acredita nisso? – temos por vezes vontade de inquirir – Orienta os seus pensamentos, decisões e acções a partir desse horizonte? Ou trata-se de algo que não o implica pessoal e directamente, e cujos sentidos têm mais que ver com épocas passadas por outros que você e que levavam aquilo “à séria”, literalmente?... Pois é, agora que estamos mais perto do esclarecimento, sabemos a que correspondem cultural, psicológica e societalmente todos os mitos e modos simbólicos das religiões. Sabemos interpretá-las e devolver-lhes o seu sentido – que elas próprias não detém. Assim vai algum positivismo contemporâneo.
Pois é.
É evidente que qualquer religião evolve em práticas concomitantes com todo o resto. Não é isso que está em jogo. E também não se trata de pôr em causa o que as ciências sociais e humanas, sobretudo no séc. XX ou pelo menos para nós do séc. XXI, têm trazido como instrumentos e técnicas de estudo do material religioso. Trata-se sim de saber se o delírio que subjaz à religiosidade (no sentido de ter um entendimento da realidade que não corresponde aos modos como esta se “mostra”, e uma prática correspondente a esse entendimento) lhe é ou não essencial. Por exemplo e no caso do cristianismo e algumas outras, Deus não é, religiosamente, uma ideia - ou é uma realidade viva, mesmo que invisível e improvável, ou uma pura e simples ilusão que cobre a vida toda.

4 Comments:

Anonymous Anónimo said...

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6:53 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Olá Vitor,

Respondeste a um comentário meu no DA.
Vai ser bom passar por aqui para debater.
Não sou cristão, sou ateu, mas parece que tens a mente aberta para o debate.
A gente vê-se.

Abraço

Alberto

2:49 da tarde  
Blogger Vítor Mácula said...

Alô, Alberto!

Quem tem certezas, ateias, cristãs, etc, sem interrogações nem "debatimentos", o mais provável é que ande ligeiramente equivocado. Uma mente fechada é como que uma contradição nos termos.

Um abraço, e até ver...

12:52 da tarde  
Blogger freefun0616 said...

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1:41 da tarde  

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